Mobilidade

Greve na STCP aos feriados e fins de semana

Greve na STCP aos feriados e fins de semana

Paralisação convocada por tempo indeterminado. Concurso para a concessão de transportes no Grande Porto outra vez suspenso.

Adivinham-se dias difíceis nos transportes do Grande Porto. Os sindicatos apresentaram um pré-aviso de greve para os fins de semana e feriados (durante todo o dia) e para os dias úteis (às últimas duas horas de serviço).

A STCP admite que, como não foram determinados serviços mínimos, poderá haver constrangimentos na operação. A par disso, o concurso de concessão de transporte público rodoviário na Área Metropolitana do Porto está suspenso por 30 dias devido à impugnação apresentada por um dos concorrentes.

O presidente da Área Metropolitana do Porto (AMP), Eduardo Vítor Rodrigues, explicou que esta contestação, apresentada no último dia [anteontem], "está em apreciação pelo júri" do concurso, cuja decisão deverá ser conhecida no final da próxima semana.

Enquanto este procedimento, já considerado como um "ponto-chave" para melhorar a mobilidade da região, se atrasa novamente, as deslocações tornam-se um problema agravado pela greve dos trabalhadores da STCP. Jorge Costa, presidente do Sindicato Nacional de Motoristas, esclarece que caberá a cada trabalhador decidir o horário que irá cumprir. Isto porque, esclarece, os motoristas trabalham entre "nove a dez horas por dia", criando dificuldades na conciliação da vida familiar e profissional.

Ainda assim, explica o sindicalista, o objetivo não é retirar os autocarros da rua, mas sim "chamar a atenção da empresa para os horários exagerados que os trabalhadores estão a cumprir". Ora, não querendo fazer "desaparecer" o serviço, "poderá sempre haver constrangimentos", cuja avaliação só é possível "um ou dois dias depois".

direito à greve

A falta de operação da STCP não motivará uma "compensação" pelos operadores privados. Até porque "viola o direito à greve", sublinha Eduardo Vítor Rodrigues.

Quanto ao reforço anunciado para este mês por parte das empresas privadas, o líder da AMP diz que foram apresentadas novas propostas às operadoras para colocar mais autocarros na rua.

Por isso mesmo, o concurso para a nova concessão de transportes na AMP, que criará uma marca única para a região, estabelece uma rede, já criada em conjunto com as autarquias, que determina por onde os autocarros devem passar e com que frequência. Esse programa estabelece, também, quais os períodos do dia em que os veículos devem passar "de dez em dez minutos ou de meia em meia hora".

Foram vários os candidatos - "empresas nacionais e internacionais" - a apresentar as suas propostas, mas que ainda não são conhecidas devido à impugnação apresentada por um deles, clarifica Eduardo Vítor Rodrigues.

"A remuneração será feita com base nos quilómetros percorridos pelos autocarros", afirma, adiantando que "não há um valor-base" para o concurso, mas sim uma meta de 1,7 euros por quilómetro. O vencedor do concurso, que terá a concessão por sete anos, será submetido a um controlo de qualidade através de uma monitorização por GPS.

"Como é que eu ia trabalhar? Não posso ficar toda a vida em casa!", atira Maria das Dores Oliveira, à saída do autocarro. Agora, é Junta de Freguesia de Guilhabreu que, todos os dias, a leva para o Castêlo da Maia. É que ali os autocarros pararam a 20 de março.

Mais de três meses depois, só a ligação Póvoa-Trofa foi retomada, ligando Vila do Conde à Póvoa e às freguesias de Azurara e Macieira. De resto, nos dois concelhos e nas suas 28 freguesias mais nada. A Área Metropolitana do Porto tinha anunciado a "normalidade" para 1 de julho. Não chegou.

Maria das Dores toma conta de dois idosos. De Guilhabreu ao Castêlo da Maia "é uma hora a pé", mais de cinco quilómetros. Tinha que os fazer. Para lá e para cá.

A 15 de maio, farto de batalhar junto da operadora (a Arriva) e da Câmara por causa da falta de transportes, o presidente da Junta, Joaquim Moreira, decidiu pôr o autocarro da Junta ao serviço da população.

Agora, Almerindo Saavedra leva toda a gente, desde que faça marcação na Junta: "Uns vão à fisioterapia ou ao médico, outros vão trabalhar, outros vão às finanças ou à Segurança Social", explica o motorista, que até anteontem ainda transportava diariamente as oito crianças do pré-escolar. Sai às 8 horas. Vai ao Castêlo da Maia. Depois ao centro de Vila do Conde. Regressa ao meio-dia.

"Ninguém nos paga nada, nem gasóleo, nem desgaste da viatura, nem motorista, mas não podíamos deixar as pessoas sem transportes", atira Joaquim Moreira.

Desde 20 de março que as 20 freguesias de Vila do Conde ficaram sem ligação à cidade. Na Póvoa, o cenário repetiu-se nas suas seis. Os dois concelhos vizinhos ficaram ainda sem ligação entre si. Alegando falta de passageiros com o fim da escola, as quatro operadoras - Arriva, Transdev, AV Minho e Litoral Norte - deixaram de prestar serviço.

Com o arranque das aulas presenciais para os alunos dos 11.º e 12.º anos, a 18 de maio, as duas autarquias asseguraram transporte, mas só para os alunos. Quem trabalha voltou a ficar em terra. A 20 de junho, a Arriva retomou a ligação à Trofa. Azurara e Macieira ganharam autocarros, mas são, por enquanto, as únicas.