Arquitetura

"Há um arquiteto em todas as áreas da sociedade"

"Há um arquiteto em todas as áreas da sociedade"

Começou esta sexta-feira, no Silo-Auto, no Porto, o primeiro "Archi Summit", realizado pela primeira vez em Portugal, pela secção regional Norte da Ordem dos Arquitectos. Neste encontro vários arquitetos nacionais e internacionais marcam presença para falar sobre os desafios da profissão.

Na mesa redonda "Arquitectura, Passado, presente, futuro", onde Helena Roseta foi substituída pelo arquiteto Cristovão Iken, houve várias mensagens de esperança aos jovens que agora ingressam na profissão.

Iken começou por garantir "daqui a 5 ou 10 anos sei que vamos estar melhor". Contou que, em 20 anos, muito mudou na profissão, onde começou, ainda com um estirador, com um papel que encorrilhava e suava e agora todos os problemas que podem existir são "apenas bugs no computador".

O arquiteto relatou, como anedota, que alguém lhe tinha gabado que, baixando um "software" da internet, tinha desenhado toda a casa, chegando ao arquiteto com tudo o que queria. Deixou esta nota como alerta para os perigos da internet para a profissão de arquiteto, que "dá acesso à informação, mas não há informação certificada", afirmando que "as pessoas desconfiam mais da competência do arquiteto do que da sua própria ignorância".

O arquiteto João Paulo Rapagão explicou que assistiu ao "boom" dos arquitetos, "deixamos de ser o clube dos amigos Disney para sermos os milhares de hoje em dia". Numa alusão histórica, contou que antigamente os arquitetos só eram chamados para os edifícios excecionais, como palácios, igrejas, hospitais e hoje em dia "há um arquiteto em todas as áreas da sociedade". Numa mensagem de alento, picou os jovens arquitetos presentes: "Sejam ambiciosos, unam-se e encontrem uma área de vocação que, se chegamos até aqui, podemos chegar muito mais longe".

Alberto de Paula Prieto, do colégio de arquitetos de Galicia, não foi tão otimista na sua intervenção, contando que quando nasceu, o pai, ao invés de dar flores à sua mãe, pôs-lhe um lápis na mão e disse-lhe: "Tu vais ser arquiteto". Atualmente diz não encontrar forças para dar alento à sua filha para fazer o mesmo e deu a título de exemplo que, em 1984, as estatísticas davam 120 casas por ano para cada arquiteto. Atualmente, a estatística diz que é apenas uma. A "ARCHI Summit" prossegue este sábado, entre as 10 e as 20 horas, com várias mesas redondas sobre os novos desafios para a profissão.

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