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Histórico restaurante portuense "Porto Antigo" em risco de fechar

Histórico restaurante portuense "Porto Antigo" em risco de fechar

O restaurante Porto Antigo, na Rua de Cimo de Vila, no Centro Histórico do Porto, está em risco de fechar. Os arrendatários e donos do restaurante querem ficar, mas não há acordo com os proprietários do centenário edifício, que o querem vender e já enviaram cartas para a saída dos inquilinos.

O alvará data de 1923, os atuais arrendatários do Porto Antigo, o casal Lurdes Noberto e Rui Ferreira, tomaram conta da casa há 13 anos e querem continuar o negócio, mas o contrato de aluguer terminou e os proprietários pretendem vender o prédio.

"Já fiz propostas, de aumento da renda e da realização de obras, mas não aceitam", diz o advogado Álvaro Peres, defensor dos interesses do casal, adiantando que, juridicamente, a pandemia garante a permanência até ao final do ano.

"Parece que estamos com o cutelo no pescoço. Querem que eu saia e recusam negociar", lamenta Lurdes Norberto, sentindo-se desprotegida. O JN contactou uma fonte próxima dos proprietários, que não quis falar do assunto.

"Fiquei com a casa por trespasse. Investi todas as nossas economias. Não tive a ajuda de ninguém. Só tenho complicações que me prejudicam a saúde. Fizemos obras de eletrificação e canalização. Vendi tudo para segurar o restaurante. Nunca falhei um pagamento. Os donos mostram-se inflexíveis. Não quero ir embora, mas a sair que seja indemnizada, porque há o recheio do estabelecimento e é preciso ter em conta os danos morais. Temos reformas pequenas", desabafa Lurdes, amargurada.

Localizado na Rua de Cimo de Vila, próximo da Praça da Batalha, o Porto Antigo é conhecido pela "comida caseira", como salienta Lurdes. "Temos caldeirada, rancho e feijoada à transmontana, entre outros pratos tradicionais. Francesinhas não fazemos porque é muito corriqueiro", explica.

Muito procurado pelos estrangeiros que visitam a cidade, tem o retorno nas boas referências obtidas nas redes sociais. Apesar de ter ganho nome e clientela, o futuro é uma tremenda incerteza.

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Como repete Álvaro Peres, o diálogo tendo em vista a continuidade do negócio tem esbarrado na intransigência dos proprietários. "São duas irmãs. Estarão numa fase de partilhas e querem vender o imóvel", sustenta.

A possibilidade de "aparecer um investidor" que colabore com os atuais arrendatários e a reapreciação do processo, visando a entrada do restaurante na listagem "Porto de Tradição", sob a alçada da Câmara Municipal, seriam hipóteses para ajudar o casal Lurdes e Rui.

"Foi feita a candidatura ao 'Porto de Tradição', mas falhou um requisito e não foi aceite. No entanto, se surgir um novo elã, até da sociedade civil, poderá dar azo a outro requerimento e à sua aprovação pelo Município. A documentação está pronta", afirma o advogado, determinado em conseguir a sobrevivência da casa centenária.

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