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A inércia da droga no Aleixo e os sonhos sem viver

A inércia da droga no Aleixo e os sonhos sem viver

Lua é o mais velho consumidor do bairro, dorme ali e não vai parar. Mil acabou de chegar e pasmou-se, nunca viu uma coisa assim. Lua "trabalha" no bairro e pergunta numa alegoria com pássaros "e nós, nós onde é que vamos parar?". Consumidores em derrocada num bairro do Porto que se vai extinguir.

A primeira vez que se experimenta droga é como receber de presente um abismo, primeiro pasma e é uma maravilha de olhar mas depois suga para sempre quem cair na sua escuridão.

Ali encalham todas as histórias e o Lua - ele não se chama Lua, escolheu esse nome para eclipsar o seu - está a nadar entre o lixo porque caiu quando vinha a andar e espalhou-se com o saco de plástico preto das suas tralhas pelo chão esburacado da rua. Foi assim de repente, tropeçou e caiu. Depois ele levanta-se a mastigar maledicências, recolhe o saco sem se sacudir e está a tratar com desonra alguém enquanto olha por cima do ombro e se põe novamente a andar. E durante um segundo ou dois aquilo foi cómico porque o Lua, depois de se espalhar de bruços, mexeu os braços e as pernas de uma maneira que parecia que ia desatar a nadar ou pelos menos foi isso que pareceu ao QI.

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