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Acusam obra de hotel no Porto de prejudicar a saúde

Acusam obra de hotel no Porto de prejudicar a saúde

Carolina Matos é portuense de gema e vive na Baixa desde 2014. Mudou-se para o número 113 da Rua José Falcão em março, sem saber que pouco tempo depois a construtora Lucios iria começar a construir um hotel no terreno contíguo.

"Tive 15 dias de paz e sossego", afirma. "É absurdo que a construção de um hotel esteja a tirar-me horas de sono e a desgraçar-me a saúde".

O casal Berri e Willim partilha as queixas de Carolina. Os três são os moradores que restam numa artéria ocupada por escritórios, cafés, restaurantes e Airbnb.

Carolina, proprietária do Tábua Rasa, restaurante na Rua da Picaria, trabalha das 8 horas às 1.30 da manhã e ultimamente só consegue dormir quatro horas devido ao barulho. "Nunca se preocuparam em saber os nossos horários, se tínhamos crianças, nada", protesta.

Além do incómodo causado pelo início dos trabalhos antes da hora prevista por lei, segundo os moradores, a agressividade do ruído estará a afetar a sua saúde.

"Já tirei medições superiores a 100 decibéis", diz Wilim Abrook, sublinhando que "o limite para perda de audição é 85". O técnico de som e a mulher, a artista Berri Blue, mudaram-se em dezembro e ficaram com a vida do avesso quando a demolição ao lado começou. O casal, que trabalha a partir de casa, foi forçado pedir alojamento a amigos durante várias semanas.

"Sangue no nariz"

"Acordar com sangue no nariz e não conseguir respirar fundo sem dor não é normal", diz Wilim. Também Berri descreve "hemorragias nasais, dificuldades respiratórias, dores de cabeça, ouvidos e garganta, tosse e eczema disidrótico" devido à inalação de pó. Já a sinusite de Carolina piorou: "Há meses que não consigo abrir a janela do meu quarto".

Os moradores dizem ter tentado falar com a Lucios para encontrar uma solução. "Não queríamos dinheiro, mas que nos assegurassem um escritório para trabalhar e seguro médico durante a duração do projeto", explica Berri. Após meses de espera, houve uma reunião com os advogados da empresa, mas não houve acordo. "Disseram-nos "Se fizermos isto por vocês, temos que fazer por toda a gente"", recordam.

Garante legalidade

Hugo Lima, diretor-geral da Lucios, afirma que "a obra está a ser executada em conformidade com as disposições legais e regulamentares" e que "todos os equipamentos são inspecionados e certificados frequentemente".

Além disso, sublinha que a empresa já enviou um técnico de higiene e segurança para analisar o caso. "Aparentemente não havia razão para as queixas e sintomas referidos", garante.

Difícil encontrar casa

Os moradores lembram que é "difícilimo" encontrar casas a preços comportáveis na Baixa do Porto e que, até por isso, devia haver mais atenção aos residentes

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