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Porto

Alexandre Herculano em mudanças e alunos nas escolas vizinhas 

Alexandre Herculano em mudanças e alunos nas escolas vizinhas 

Escola Secundária Alexandre Herculano, no Porto, prepara-se para obras, que chegam ao fim de anos de luta. Ramalho Ortigão e Pires de Lima acolhem turmas do liceu histórico.

São quase três horas de uma tarde quente do início de setembro, os termómetros escalam até aos 30 graus no Porto, e há na histórica Secundária Alexandre Herculano um batalhão de funcionários a dar alma - e corpo, sobretudo - ao significado do verbo cooperar. São meia centena, das escolas do agrupamento, e têm sido fundamentais na provisória mudança de casa da escola, que está a um passo de entrar em obras.

Sem férias e incansável, o diretor do "Alexandre" não sabe como agradecer-lhes. E duplamente: pelo trabalho árduo e hercúleo de esvaziar o enorme edifício e pelas acrobacias no período de descanso. "Eles alteraram as férias, e todas as palavras que posso dizer serão poucas para louvar estas pessoas. Tenho um grupo de assistentes operacionais excecional e cujo esforço foi além das competências", elogia Manuel Lima.
Sílvia Maia só gozou nove dias de férias. Porque, admite, não conseguiria ir sabendo que havia tanto a fazer na sua "segunda casa", onde está há 31 anos. "Os assistentes operacionais estão a ser fantásticos. Às sete e meia da manhã já estão aqui", enaltece a funcionária, que coordena os colegas. "Isto é a alma e a cultura do "Alexandre"", atalha o diretor, que não se surpreendeu com a abnegação dos "funcionários e de alguns professores". Enquanto isso, pelos corredores amplos e luminosos, transportam-se armários em carrinhos. Veem-se caixas, mas nunca o caos de uma mudança: a operação não é apenas eficiente, é organizada.

Uma mesa com dez metros

Na EB 2,3 Pires de Lima, que, a par da Ramalho Ortigão, também no Bonfim, acolherá os cerca de mil alunos da Secundária (ver ficha ao lado), já está montada a secretaria, e os funcionários estão a levar para lá o arquivo. "O acervo importante está resguardado, porque é um espólio que não existe em mais lado nenhum", garante Manuel Lima, aludindo a peças valiosas e raras da biblioteca, do Museu da Física e a mobiliário em madeira talhada. O restante terá de ir para um armazém até ao fim do mês.

O diretor orgulha-se de já estar "tudo praticamente encaixotado", e em tempo recorde, porque a escola "estava a funcionar até 31 de julho". Falta o Museu de História Natural, que será um quebra-cabeças pela dimensão, e alguns móveis antigos. Como a comprida mesa da sala dos professores, que foi montada no local e tem cerca de 10 metros.

E a secretária de Manuel Lima, aponta o próprio, num sorriso nostálgico, entre a "pena" de ver o antigo liceu esvaziar-se e a "muita alegria" por saber que, "finalmente", a sua "grande luta" chega ao fim: "A minha missão era fazer as obras". Que, orçadas em quase 10 milhões de euros, estão prestes a iniciar e vão durar ano e meio.

Alunos na "Pires" e "Ramalho"
A Escola Pires de Lima vai receber os alunos do 9.º ao 12.º ano, num total de perto de 400, enquanto a Ramalho Ortigão acolherá cerca de 600, do 5.º ao 8.º ano.

Remendos na "Pires"
Bastante degradada, a "Pires" vai funcionar nos blocos em melhor estado. Alguns funcionários fizeram arranjos, como pintura de espaços. A situação é aceite por pais e professores por ser transitória.

13,5 milhões
As despesas de requalificação do Alexandre Herculano, que representam 9,8 milhões de euros, foram aprovadas na última reunião de Câmara. O Ministério da Educação comparticipa a obra com 3,7 milhões.