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Câmara abandona intenção de colocar elétrico na Foz

Câmara abandona intenção de colocar elétrico na Foz

A Câmara do Porto revelou, esta quarta-feira, que não tem atualmente qualquer plano para colocar o elétrico a circular na marginal da Foz até Matosinhos, como chegou a equacionar num plano apresentado no início do mandato.

Nuno Santos, adjunto do presidente da Câmara, Rui Moreira, esclareceu à Lusa que a discussão pública em torno da possibilidade de levar o elétrico à frente marítima teve "um resultado claramente negativo", quer em termos de "vantagens de mobilidade" quer ao nível da "aceitação da população e comerciantes".

"Pelo menos para já, a Câmara não tem previsto o avanço dessa solução", garantiu Nuno Santos, lembrando que a intenção de colocar o elétrico na Foz se enquadrava na perspetiva de a autarquia gerir a rede de elétricos, atualmente da responsabilidade da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), algo que Rui Moreira continua a defender.

De acordo com a mesma fonte, relativamente ao elétrico na Foz, "o que existiu não foi um projeto, mas um plano que visava suscitar a discussão em torno das questões de trânsito, mobilidade e regeneração urbana da Foz", mas a ideia não só "não foi bem acolhida" como não mostrou "vantagens em termos de mobilidade".

Quanto à municipalização dos elétricos, Nuno Santos recorda que foi proposta pela autarquia a Sérgio Monteiro, secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações do anterior governo, durante o processo de subconcessão da STCP, entretanto revertido pelo governo de António Costa.

A hipótese de o elétrico voltar a circular na Foz foi avançada em dezembro de 2014 pelo então presidente da Águas do Porto, Matos Fernandes (atual ministro do Ambiente) e recebeu críticas do movimento Salvar o Circuito da Boavista, depois de a Câmara anunciar o fim do evento devido à suspensão de apoio financeiro do Turismo de Portugal.

Para aquele movimento, o regresso do elétrico à orla marítima do Porto revelava que "claramente existiam outras razões para não realizar o circuito da Boavista" em 2015 para além da suspensão do apoio financeiro pelo Turismo de Portugal.

Em resposta às críticas, a autarquia notou que o regresso do elétrico à marginal do Porto nunca decorreria em 2015, pelo que o mesmo não poderia pôr em causa as corridas do Circuito da Boavista naquele ano.

"Está clara na apresentação e nos documentos tornados na terça-feira públicos, e à disposição na internet sobre o Plano de Estrutura da Frente Marítima, que o elétrico não será instalado em 2015, pelo que o mesmo não poderia pôr em causa as corridas desse ano", disse a autarquia em resposta enviada na ocasião à Lusa.

A Câmara do Porto anunciara em outubro de 2014 a decisão de não realizar, em 2015, o circuito da Boavista, pois "suportar os seus custos sem o habitual apoio do Turismo de Portugal poderia pôr em causa as boas contas do município, hipotecando outros investimentos e compromissos fundamentais".

A autarquia referia não ser "comportável para o orçamento municipal" o gasto de "perto de três milhões de euros numa prova de automobilismo".

Em 2011, o então presidente da autarquia, Rui Rio (PSD), indicava que a Câmara gastava cerca de 700 mil euros com a prova, comparticipada pelo TP em 1,4 milhões de euros.

Em declarações à Lusa em dezembro de 2014, o então presidente da Águas do Porto indicou o regresso do elétrico "turístico" à frente marítima portuense, entre os jardins do Passeio Alegre (na foz do rio Douro) e a Praça Cidade São Salvador, em Matosinhos, como uma das principais novidades da "proposta de Plano de Estrutura para a Frente Marítima do Porto".

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