Os 100 anos da Monarquia do Norte vão ser relembrados em duas conferências, no Ateneu Comercial do Porto. A primeira é já neste sábado, com entrada livre, pelas 18 horas. O evento é promovido pela Real Associação do Porto, na comemoração dos seus 30 anos.
Jorge Leão, presidente da Real Associação do Porto, explica que a evocação da Monarquia do Norte "chama a atenção também para um tema que depois pode ser discutido ao nível atual". "Ao nível da História, a Monarquia do Norte falhou. Não podemos comemorar uma derrota. Mas o facto é que, quando a República vingou em 1910, os monárquicos continuavam em muitos lugares importantes e a maioria da população não era republicana. E depois, no período de Afonso Costa, foi um caos completo. Aconteceram coisas nunca vistas", conta o presidente da associação.
Esta época está, portanto, "recheada de histórias engraçadas e muitas circunstâncias". "E o objetivo será fazer uma evocação dessa altura", acrescenta Jorge Leão. Para isso, a primeira conferência conta com dois historiadores: Carlos Bobone, alfarrabista e autor de vários trabalhos de investigação nas áreas da História e da Genealogia; e Nuno Resende, professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP).
No dia 2 de fevereiro, os oradores serão Armando Malheiro, professor catedrático da FLUP, e Luís Cabral, ex-director da Biblioteca Pública Municipal do Porto, com os temas: "O equívoco monárquico: a Monarquia do Norte e a Revolta de Monsanto" e "os Manuscritos do 2.º Conde de Azevedo na BPMP". A conferência, também de ingresso gratuito, realiza-se igualmente às 18 horas, no Ateneu Comercial do Porto.
Jorge Leão deixa ainda uma questão em aberto: "Há uma pergunta que se coloca aos portugueses: seria melhor uma Monarquia do que um regime republicano? Se calhar sim. E isto pode realmente levar uma diferença. É nos países monárquicos onde se vive melhor, têm um nível de vida muito superior ao nosso".
