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Hostel para sem-abrigo abre no Porto

Hostel para sem-abrigo abre no Porto

As obras no edifício da Associação dos Albergues Noturnos do Porto terminam em dezembro, para abrir, no início de 2017, um espaço "tipo hostel" para pessoas sem-abrigo.

"Vai ficar tipo hostel. O objetivo é dar dignidade a quem mais precisa e melhorar o conforto", descreve Miguel Neves, diretor da Associação dos Albergues Noturnos do Porto (AANP), admitindo que o seu sonho é que um dia deixe de haver sem-abrigo na cidade e que o edifício do século XVII se possa adaptar para um alojamento turístico local.

As obras de fundo no edifício, que tiveram início em julho de 2015, e se estima que terminem até ao final deste ano, vão permitir albergar um total de 75 sem-abrigo - 60 homens e 15 mulheres - com quartos servidos de aquecimento central, novas instalações sanitárias, e chão e paredes renovadas.

A instituição admite, todavia, que precisa de donativos financeiros urgentes para colmatar as necessidades, designadamente as relacionadas com mobiliário e, por isso, Miguel Neto, apela à solidariedade da sociedade civil.

Miguel Neto diz que todos os donativos são bem-vindos. "Podem ser 15 euros, que dão para comprar lençóis, ou podem ser 200 euros que dá para comprar uma cama", exemplifica aquele responsável, explicando que a comparticipação da Segurança Social não é suficiente para apoiar o aumento da capacidade de alojamento, a partir de janeiro do próximo ano.

O investimento nas obras de fundo que o imóvel dos Albergues Noturnos recebeu - mais de meio milhão de euros - significa "um tremendo esforço financeiro para continuar a ajudar pessoas em pobreza extrema", um trabalho que a instituição faz desde 1881 na cidade do Porto.

Os Albergues Noturnos têm constantemente o espaço com "lotação esgotada" e todos os dias aparecem mais pedidos para alojamento, principalmente de utentes assinalados pela Segurança Social e unidades hospitalares que sofrem de patologias psiquiátricas, como esquizofrenia, ou que são toxicodependentes.

Desde 2012 que os Albergues Noturnos apostam num negócio próprio de produção de cogumelos - os Cogumelos Solidários - que ajuda a gerar fundos para ampliar o número de camas para os sem-abrigo. Ainda assim, Miguel Neves reconhece que seja preciso "aumentar o número de benfeitores".

Este ano, a campanha rendeu cerca de 10 mil euros, uma verba que vai direta para as obras de reabilitação dos Albergues, conta Miguel Neves, referindo que a produção média anual tem sido entre "uma a duas toneladas" de cogumelos, que são depois vendidos para o grupo de distribuição alimentar português Jerónimo Martins.

Para além dos alojados, os Albergues Noturnos fornecem 99 refeições diariamente à comunidade.

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