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Mãe congolesa espera legalização para trabalhar

Mãe congolesa espera legalização para trabalhar

Há um ano, tribunal mandou devolver bebé retirada à nascença por falsa suspeita de tráfico de seres humanos.

Era o primeiro filho e a mãe não imaginava que o destino o fizesse nascer a milhares de quilómetros. À procura de destino menos amargo para a bebé, La Joie foi de Kinshasa (República Democrática do Congo) para Luanda (Angola) e daí quis rumar à Bélgica, onde nunca chegou. Em escala no Porto, uma interpelação do SEF fê-la entrar em trabalho de parto, seguindo para a maternidade do Hospital São João, onde deu à luz uma menina. Foi-lhe logo retirada, porque o SEF suspeitou que iria "vender" a criança. Em tribunal, demonstrou que tal não é verdade. Agora, espera ser legalizada em Portugal para "poder trabalhar e dar um futuro à menina".

A história de La Joie ("a Alegria", se traduzido do francês) foi contada pelo JN a 9 de janeiro. Tudo começa na RD Congo um ano antes e continua em Portugal, concretamente no Aeroporto Sá Carneiro, no Porto, a 26 de agosto de 2017. La Joie Makiesse Ndamba, 22 anos, militante da oposição ao presidente Kabila, engravidou de um assessor do Bundu dya Mayala (BDM), um dos principais movimentos oposicionistas ao presidente congolês. O jovem, que vivia diretamente a agitada situação política (que se mantém), ordenou que La Joie fugisse para Luanda, onde deveria aguardá-lo para, juntos, verem nascer a criança longe do clima de perseguições e mortes. Expectativa nunca concretizada, porque o homem passou a figurar na extensa lista dos "desaparecidos", o que é traduzido por "ocupante de vala comum".