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Mais dez mil árvores para oxigenar a cidade do Porto

Mais dez mil árvores para oxigenar a cidade do Porto

Estudo da Universidade de Aveiro conclui que parque verde na Constituição faria descer nível de azoto em 19%.

Até 2021 a cidade do Porto vai ganhar mais 10 mil árvores, a plantar em várias zonas incluindo pontos de grande pressão rodoviária como nós da VCI. Oxigenar a urbe portuense é o objetivo desta decisão do Executivo, numa altura em que os temas ambientais marcam a agenda. Despoluir as cidades é um dos trabalhos a que se propõem os municípios e o Porto não foge à regra.

No mesmo sentido, a investigadora Sandra Rafael, da Universidade de Aveiro, realizou um estudo em que "substituiu" um bloco de edifícios no Porto - Batalhão dos Sapadores, na Rua da Constituição - por um parque verde, chegando à conclusão que o arvoredo produziria efeito sobre os principais poluentes emitidos pelo setor dos transportes: "Permitiria reduzir as concentrações de partículas em suspensão no ar em 16% e de dióxido de azoto em 19%."

A investigação foi publicada na revista "Atmospheric Environment" e a recolha dos dados decorreu entre março e setembro do ano passado. Sandra Rafael admite que "em alguns períodos e dias podem ter sido excedidos os níveis de concentração de partículas no ar", mas adverte que o seu trabalho "não tem por intuito a crítica". Assinala, obviamente, que "não se vai deitar o quarteirão (Sapadores, na Constituição) abaixo".

O caso portuense, inserido na tese de doutoramento de Sandra Rafael, serve para "alertar" que antes de avançar para a construção dos empreendimentos "há ferramentas científicas de planeamento urbano baseadas na natureza e que propiciam a melhoria da qualidade do ar e de vida dos cidadãos". Ao JN, a Câmara declinou fazer comentários acerca deste estudo.

Qualidade do ar

Quanto à localização das 10 mil árvores a plantar pela Autarquia, estão incluídos vários nós da Via de Cintura Interna, entre os quais Francos, Regado e Freixo. Também a Quinta de Salgueiros, próxima do Estádio do Dragão, será intervencionada. Esta fase, ao longo dos principais eixos de circulação (nós, taludes, áreas verdes laterais), compreende 17 hectares.

O nó do Regado, com 762 novas plantas, e o nó de Francos, que recebeu este ano 543 plantas, são a face mais visível deste segmento verde da Câmara.

"Melhoria da qualidade do ar, moderação do clima a nível local, adaptação às alterações climáticas, sequestro de carbono, regulação da água, conservação do solo e suporte da biodiversidade", são alguns dos motivos elencados para a prossecução desta estratégia.

Quinta de Salgueiros

Junto às Antas, na Quinta de Salgueiros, a Câmara do Porto quer criar uma floresta urbana prestadora de serviços ecológicos. Também será um espaço de diálogo para equipas com diferentes saberes: biólogos, arquitetos, paisagistas, sociólogos, geógrafos, entre outros. A quinta tem cerca de quatro hectares. Atualmente é um espaço onde são depositados ilegalmente resíduos.

Macieiras e cerejeiras entre as espécies

Aveleiras, freixos, azevinhos, macieiras-bravas, cerejeiras-bravas, teixos, bétulas e medronheiros foram algumas das 21 espécies plantadas durante este ano na zona de Francos.

Viveiro abastece os concelhos vizinhos

O Viveiro Municipal, com árvores e arbustos autóctones, funciona desde 2014. Desde então foram produzidas e distribuídas mais de 60 mil plantas, com a particularidade de se exportar solidariamente para a Área Metropolitana. Também está em curso o projeto de "Conservação de espécies raras da Região Norte".

Oferta a munícipes

Outro programa municipal, "Se tem um jardim, temos uma árvore para si", tem como meta instalar 10 mil árvores e arbustos em jardins e quintais privados.

Reter o carbono

As 10 mil árvores terão potencial para armazenar 50 toneladas de carbono por ano, contribuindo para as medidas de adaptação às alterações climáticas.

Números

5174 é o número de árvores e arbustos já entregues aos municípios e organizações no âmbito do programa "Uma árvore para si".

100 mil árvores é o que está planeado plantar na Área Metropolitana do Porto, no âmbito do projeto a que se designou chamar "Futuro".

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