Porto

Moreira: Porto Património Mundial evitou que "cidade se estragasse"

Moreira: Porto Património Mundial evitou que "cidade se estragasse"

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, considerou esta segunda-feira que a classificação do Centro Histórico como Património Mundial, que está a celebrar 20 anos, "salvou" a cidade, permitindo que esta "não fosse estragada".

"Se [a classificação] não tivesse acontecido, se calhar a cidade não tinha sobrevivido", disse Rui Moreira que falava durante a apresentação do livro "Porto Património Mundial 20 anos - 20 imagens".

Já à margem da iniciativa, em declarações aos jornalistas, o autarca completou: "Não nos podemos esquecer que pouco antes do 25 de Abril, esteve previsto destruir uma parte significativa do que é hoje o Barredo para construir prédios. Houve partes da cidade que foram completamente delapidadas do ponto de vista arquitetónico. Esta classificação permitiu que não se estragasse a cidade".

Confrontado com a discussão sobre se o Porto está a ficar ou não excessivamente voltado para o turismo, Rui Moreira rejeitou que exista algum problema e defendeu "uma visão descomplexada de tal maneira que as pessoas que chegam ao Porto gostem de ser portuenses".

"Há 20 anos o centro histórico estava-se a afundar, estava a desaparecer, estava estragado, mais de metade das casas estavam em ruínas. Hoje a situação felizmente é diferente. Continuo a achar que vale a pena, continuo a achar que há um lugar para todos aqueles que querem ser portuenses viverem neste nosso centro e não me preocupa nada essas questões do turismo. O turismo não me aflige nada. Imagine o que seria se o Porto não o tivesse? Imagine se o Porto não se tivesse reabilitado?", afirmou o presidente da câmara que, durante a sua intervenção, deixou palavras de agradecimento a antecessores.

Sobre Fernando Gomes, Rui Moreira recordou que "o movimento para a mudança e classificação" marcou o mandato e a visão do socialista. Já a Rui Rio atribuiu o início do processo de reabilitação urbana, considerando o processo "incontornável".

"É bom termos memória do que era o Porto. [A classificação] era considerada muito improvável mas foi conseguida (...). A cidade do Porto chama-se 'Porto' por alguma razão. É uma cidade cosmopolita, aberta. Não se pode permitir que a cidade volte a fechar-se", disse Rui Moreira antes de um debate que visava discutir a pertinência e o valor universal das cidades património mundial para as gerações do presente, passado e futuro.

"Sempre foi assim. A cidade do Porto foi uma cidade de marinheiros. Até aos anos 50 a população flutuante foi muito maior do que a população local e não foi por isso que o Porto se perdeu. As pessoas consumiam, vinham cá", completou o autarca já à margem da sessão.

Rui Moreira aproveitou para reafirmar que a câmara está a comprar habitação para a reabilitar e "garantir que aqueles que querem voltar para cá [centro histórico] o possam fazer, apontando que têm prioridade "os que foram para bairros periféricos e querem voltar" e "depois quem também se quer instalar e apostar no território", sem esquecer os "muitos estudantes que vivem na Baixa do Porto": "Para mim eles também são portuenses", frisou.

"As cidades não são aldeias. E nós não vivemos numa aldeia. Vivemos numa grande cidade, numa cidade que foi sempre aberta", resumiu, depois de durante a cerimónia ter apelado a que a população debata e participe, nomeadamente na discussão sobre o Plano Diretor Municipal.

Quanto ao livro apresentado esta tarde na biblioteca do Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição, este congrega textos de Álvaro Domingues, Gaspar Martins Pereira e Manuel Carvalho e fotografias de 20 fotógrafos que, conforme referia o convite para a sessão, "(re)descobrem e problematizam dinâmicas deste território".

Seguiu-se um debate com a vice-presidente da câmara de Marraquexe, Awatef Berdai, o vereador do Urbanismo da Câmara do Porto, Manuel Correia Fernandes e o arquiteto Rui Loza.

A 5 de dezembro de 1996, a UNESCO incluiu oficialmente o Centro Histórico do Porto na lista do Património Cultural da Humanidade.