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Família despede-se de Catarina após nascimento de "bebé milagre"

Família despede-se de Catarina após nascimento de "bebé milagre"

Catarina ficou em morte cerebral quando estava grávida de três meses. A criança nasceu esta quinta-feira no Hospital de São João, no Porto. Salvador nasceu com 1700 gramas e 40 centímetros.

O bebé nasceu às 4.32 horas desta quinta-feira, com 31 semanas e seis dias, saudável, segundo apurou o JN, de uma cesariana de urgência. O corpo da mãe encontra-se na capela mortuária de Crestuma, em Gaia. O funeral realiza-se esta sexta-feira, pelas 15 horas, na igreja de Crestuma. Findas as cerimónias, o corpo será cremado no crematório de Paranhos, no Porto. A missa de sétimo dia realiza-se na próxima quarta-feira, dia 3 de abril, às 20 horas na igreja de Crestuma.

A equipa que acompanhou o caso no hospital, refere que o bebé corre os riscos inerentes ao nascimento às 32 semanas, apesar de salientar que a mortalidade nestes casos é praticamente nula. Foi entubado a seguir ao parto, como acontece no nascimento de prematuros com este tempo de gestação, mas está a evoluir bem, apesar de alguns problemas respiratórios.

Apesar de o feto não ter entrado em sofrimento, foram detetadas alterações nos últimos exames realizados, o que levou a antecipar a cesariana para esta quinta-feira, apesar de estar planeada para sexta-feira, dia em que faria 32 semanas de gestação.

O pai foi a única pessoa da família que já esteve com o recém-nascido."O Salvador nasceu às 4.32 horas de hoje e está internado no Serviço de Neonatologia do Centro Hospitalar Universitário São João (CHUSJ)", disse fonte daquela unidade hospitalar. O bebé deverá passar, pelo menos, três semanas no hospital.

A família foi chamada ao hospital para se despedir de Catarina, em morte cerebral desde 26 de dezembro.

Catarina Sequeira, de 26 anos, teve um ataque de asma e entrou em morte cerebral quando contava com algumas semanas de gestação.

A decisão de prolongar a gestação partiu de Maria de Fátima Branco. "Não foi uma gravidez desejada, mas ela acabou por a aceitar e andava feliz. Sempre falou em ir para a faculdade e viajar antes de ser mãe. Mas aconteceu assim", diz a mãe, que nunca pensou que "o processo fosse tão moroso".

Catarina teve um ataque de asma às 12 semanas que a atirou para um coma induzido no Hospital de Santos Silva, em Gaia. Pouco depois, entrava em coma profundo e a morte cerebral, às 19 semanas de gravidez.

A comissão de ética teve de se pronunciar para que o prolongamento da gestação fosse aceite e, como em Gaia não havia cuidados intensivos urgentes, o corpo foi levado para o S. João, onde se encontrava ligado artificialmente.

Catarina tem um irmão gémeo, o António, para quem não tem sido fácil gerir os sentimentos gerados por toda situação. Quem o conta é o irmão mais novo, João Sequeira, de 22 anos.

"Eles estavam os dois juntos quando ela teve o ataque. Nunca mais recuperou", explica o jovem que nestes três meses apenas por duas vezes viu a irmã no hospital. "Não consigo vê-la ali deitada de olhos fechados!", confessou ao JN à porta da casa da família, no Bairro Social da Marroca, em Crestuma, Gaia.

Este é o segundo bebé a nascer em Portugal com uma mãe em morte cerebral. O primeiro, Lourenço, nasceu em 2016 no Hospital de S. José, em Lisboa, depois de a respetiva comissão de ética ter concordado manter a mãe ligada às máquinas até às 32 semanas de gravidez.

Naquele caso, o feto sobreviveu 15 semanas na barriga da mãe que estava em morte cerebral depois de ter sofrido uma hemorragia intracerebral, tendo sido o período mais longo alguma vez registado em Portugal.

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