Saúde

Nova ala pediátrica do S. João "desespera por final feliz"

Nova ala pediátrica do S. João "desespera por final feliz"

O novo diretor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), Altamiro da Costa-Pereira, disse que a nova ala pediátrica do Hospital de São João "desespera por um final feliz".

Num discurso proferido na cerimónia de tomada de pose como novo diretor da FMUP, Altamiro da Costa-Pereira recordou a origem da Maternidade Júlio Dinis para depois fazer um paralelismo com a situação de impasse na construção da nova ala pediátrica do Hospital de São João, no Porto.

"Permitam-me, a propósito de um tema mediático, lembrar que em 1925, aquando das comemorações do Centenário da Real Escola de Cirurgia do Porto, Alfredo Magalhães, então diretor da Faculdade de Medicina do Porto e reconhecendo o abandono da assistência maternoinfantil na sua cidade e no Norte do país, inicia um movimento que, por subscrição pública e após alguns apoios governamentais, acabou por dar origem à Maternidade Júlio Dinis, inaugurada em 1939, cerca de 14 anos após a sua iniciativa pioneira", descreveu o novo diretor.

"E, como sabemos todos, a história vai-se repetindo, embora de modos diferentes e com distintos atores, e agora temos aí o 'Joãozinho' que desespera por um final igualmente feliz", completou Altamiro da Costa-Pereira que, no final do discurso, não esteve disponível para responder aos jornalistas à margem da sessão.

Em causa está a obra da nova ala pediátrica em terrenos do Hospital de São João por iniciativa da Associação "Joãozinho" que parou em 2016, cerca de um ano depois de ter começado.

A administração do centro hospitalar defendeu na ocasião que a empreitada só seria possível com investimento público, devido ao "desfasamento entre as verbas angariadas [pela associação] e o orçamento total da obra".

A empreitada de cerca de 25 milhões de euros era suportada por fundos privados angariados pela associação "Um Lugar Pró Joãozinho", que até então tinha reunido cerca de um milhão de euros.

Em janeiro de 2017, o Ministério da Saúde aprovou a construção da ala pediátrica, anunciando um investimento de cerca de 20 milhões de euros.

O Governo autorizou em 19 de setembro a administração do Centro Hospitalar Universitário de São João a lançar o concurso para a conceção e construção das novas instalações do Centro Pediátrico.

E a 24 de outubro o primeiro-ministro afirmou que o reforço orçamental na área da saúde permitirá avançar com o lançamento do concurso desta nova ala.

"É graças a este reforço [no Orçamento] que vai ser possível lançar cinco novos hospitais, um conjunto de obras em hospitais importantes (...) e vamos, por exemplo, poder avançar com o lançamento do concurso para a nova ala pediátrica [no Hospital de S. João]", disse então António Costa, na inauguração de uma nova unidade de saúde em Baguim do Monte, Gondomar, distrito do Porto.

No entanto, nesse próprio dia e, novamente, em 06 de novembro, na discussão do Orçamento do Estado na especialidade, a ministra da Saúde, Marta Temido, recusou comprometer-se com datas para o projeto.

Este caso tem motivado perguntas de partidos políticos, iniciativas promovidas pela sociedade civil, como um cordão humano ou um abaixo-assinado, entre outras, e a criação da Associação Pediátrica Oncológica do Hospital de São João, que tem denunciado vários cenários sobre as atuais condições proporcionadas às crianças e famílias nos contentores onde a pediatria está instalada.

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