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Novo bispo do Porto apoia estudo sobre sacerdócio feminino

Novo bispo do Porto apoia estudo sobre sacerdócio feminino

O novo bispo do Porto, Manuel Linda, diz que tudo fará para valorizar o diaconado e aprova "a 200%" a decisão do papa Francisco de constituir uma comissão para estudar o sacerdócio "e consequentemente o diaconado feminino hipotético".

O papa Francisco nomeou, esta quinta-feira, Manuel Linda, até agora bispo das Forças Armadas e de Segurança, como bispo do Porto.

A questão do diaconado "vai afligir o coração do bispo. Acredito no diaconado. O diaconado permanente nesta fase ainda é o parente pobre dos ministérios ordenados (diácono, presbítero, padre e bispo)", disse Manuel Linda, que hoje se encontrou com os jornalistas, para se apresentar, dizer o quanto acha importante a comunicação social, e pedir que quando os jornalistas tiverem de noticiar casos às vezes "não muito agradáveis" que ouçam a totalidade das partes, que da sua parte da Igreja tentará "com toda a lealdade, não esconder os casos".

Quanto aos diáconos, que estiveram suspensos na Igreja "pelo menos 1500 anos", tudo fará para recuperar o seu dinamismo.

"Tudo farei na Diocese do Porto, que aliás tem muitos diáconos permanentes, para valorizar esses diáconos permanentes. Não e só por causa (da menor disponibilidade) dos sacerdotes, é fundamentalmente pela dignidade constitutiva do próprio ministério do diaconado", disse o novo bispo, que deverá assumir o cargo na segunda quinzena de abril.

Questionado sobre o diaconado feminino, o novo bispo disse que a questão não é tabu, mas que não é questão que se aprofunde a partir de uma Diocese, mas sim da Igreja universal. E lembrou que o papa já nomeou uma comissão para continuar esse estudo.

Confesso devoto do papa, Manuel Linda admite que há alguma oposição a Francisco. "Infelizmente os ritmos da História não são sempre acompanhados por todos da mesma forma. Há quem possa caminhar com pernas mais fortes e há outros que porventura não possam caminhar a esse ritmo. Não me admiro que uma ou outra franja chame a atenção para aspetos que são circunstanciais, mas que essa mesma franja imagina que são fundamentais. Agora a Igreja na sua essência, na sua grande maioria (...), descontando uma ou outra má interpretação, a Igreja está com o papa Francisco", disse.

Garantindo que na Diocese do Porto vai agir como sempre, dizendo o que pensa, criticando ou "chamando a atenção" quando for necessário, Manuel Linda disse que vai também olhar para as "franjas e periferias" do Porto com problemas graves, de pobreza e de marginalidade, e que a Diocese estará "na linha da frente" da tentativa de reinserção dos que se afastaram ou foram afastados.

Até agora bispo das Forças Armadas, Manuel Linda ficará como administrador apostólico. Questionado pelos jornalistas sobre a presença da Igreja Católica lembrou que a lei da liberdade religiosa prevê que outras estruturas possam ter o seu capelão nas Forças Armadas e de segurança, e disse que nunca ouviu qualquer contestação à presença de um bispo nas Forças Armadas.

"Mesmo do interior da Igreja Católica pode-se perguntar: mas hoje com umas Forças Armadas da ordem de 40 mil efetivos, justifica-se? Não é bem assim. Porque as duas forças de segurança, GNR e PSP, também são parte integrante do ordinariato, e, se o decreto que criou o ordinariato fala das suas famílias, uma contagem por alto indica que pertencerão ao ordinariato castrense para Portugal mais de 250 mil pessoas. Devemos ter quatro, cinco ou seis dioceses com menos do que esse número", justificou.

Dos anos que passou como bispo das forças armadas e de segurança fez "um balanço extraordinariamente positivo".

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