Alterações

Operadores de transportes indignados e surpreendidas com a câmara do Porto

Operadores de transportes indignados e surpreendidas com a câmara do Porto

A Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros (ANTROP) afirma que a decisão da Câmara do Porto de transferir o término de linhas de operadores privados gerou um "clima de desconfiança" e "indignação" nas empresas privadas.

Numa carta enviada na quinta-feira à Área Metropolitana do Porto (AMP), bem como às câmaras do Porto, Gondomar e Valongo, à qual a Lusa teve acesso esta sexta-feira, a ANTROP afirma que recebeu "com enorme surpresa e incredulidade" a notícia de que as operadoras Gondomarense, Pacense e Valpi teriam de desviar o trajeto do termino de linhas da zona do Bolhão para o Dragão.

Em causa estão alterações nas carreiras de serviço público que entram na cidade do Porto, vindas de concelhos vizinhos, pelo canal de S. Roque da Lameira.

Na carta, a associação recorda que "este processo foi alvo de diversas reuniões de facto com essas empresas privadas envolvidas, mas que, contrariamente ao que foi referido pelo Sr. Presidente da Câmara do Porto, nunca concordaram, nem poderiam concordar com a solução ontem [quarta-feira] avançada", pelo que apela a que "se encontre um caminho alternativo, e perfeitamente possível, que corrija as questões levantadas".

A Câmara do Porto anunciou na quarta-feira que, a partir de 5 de fevereiro, linhas de operadores privados de transportes públicos ficam impedidas de entrar no centro do Porto (Bolhão), deixando os passageiros na estação de metro do estádio do Dragão.

Na missiva enviada à AMP e autarquias, a associação descreve que se realizaram "reuniões exaustivas", que o município do Porto justificou a necessidade de se alterarem os términos das linhas como consequência das obras do mercado do Bolhão, que impediriam o trânsito da rua Alexandre Braga, tendo ficado "absolutamente claro que essa alteração seria aplicável a todas as empresas, sem qualquer exceção, que operam no canal de S. Roque da Lameira, incluindo a Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP)".

No entanto, a decisão de não incluir a STCP nesta transferência de términos foi, refere a ANTROP, "uma surpresa", razão pela qual a associação diz que "não pode deixar de estar criado um sentimento de profunda frustração e indignação entre estas empresas privadas, que se sentem manifestamente defraudadas em reuniões de trabalho onde sempre manifestaram boa-fé e cooperação aparentemente não correspondidas pela Câmara do Porto".

Criou-se, assim, "um clima de desconfiança que em nada abona em processos futuros na AMP", acrescenta a ANTROP, estranhando a "aparente ausência da AMP neste processo, a quem estão incumbidas as funções de autoridade reguladora do transporte público".

"Estas alterações pretendidas isoladamente pelo município do Porto incidem em linhas intermunicipais, pelo que é no mínimo insólito que se façam em desarticulação com essa autoridade a quem a própria Câmara delegou competências", sublinha a ANTROP, falando em "alterações importantes e muito relevantes na operação das linhas em causa".

Já na quinta-feira, em declarações à Lusa, o vice-presidente da ANTROP, Eduardo Caramalho, considerou "discriminatória" a decisão da Câmara do Porto de transferir o término de linhas de operadores privados do Bolhão para o Dragão, temendo "degradação de serviço".

"A nossa posição foi sempre renitente. É algo que não beneficia os passageiros porque as pessoas têm de fazer transbordo para metro, quando hoje estão habituados a chegar diretamente ao Porto. Mas o pior é que existe uma discriminação entre operadores. Foi com total surpresa que vimos que para a STCP há solução, para os operadores privados - Pacense, Valpi e Gondomarense - não", disse Eduardo Caramalho.

Os condicionamentos, motivados em parte pela obra de recuperação do Mercado do Bolhão, vão tirar os autocarros privados e "um total de nove mil passageiros" dos terminais atualmente existentes na rua Alexandre Braga e no Campo 24 de Agosto, transferindo as paragens para a zona do Dragão, com estacionamento para 840 automóveis e uma estação de metro que funciona "aquém da capacidade", explicou, então, o presidente da autarquia, Rui Moreira, em conferência de imprensa.

A Lusa tentou esta manhã obter uma reação junto da Câmara do Porto e do presidente do Conselho Metropolitano do Porto, mas não obteve quaisquer respostas até ao momento.

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