Habitação

Porto anuncia projeto de apoio a idosos que vivem nas casas municipais

Porto anuncia projeto de apoio a idosos que vivem nas casas municipais

A Câmara do Porto quer conhecer as condições em que vivem os idosos nas 13 mil casas da Domus Social a fim de criar respostas para as situações de vulnerabilidade e fragilidade encontradas.

O anúncio foi feito pelo vereador do pelouro da Habitação e Ação Social, Fernando Paulo na apresentação do projeto solidário "Porto. Importa-se" e cujo diagnóstico decorre desde setembro de 2017 e deverá estar concluído no verão de 2018.

Segundo Fernando Paulo, no âmbito do diagnóstico já foram visitadas pelas estagiárias do Instituto Superior dos Serviços Sociais do Porto (ISSSP) "as quase duas mil habitações" onde residem "idosos isolados com mais de 70 anos e casais com mais de 75".

Com o trabalho no terreno e tendo ainda pela frente a análise de "todos os dados que são necessários" a CMP está já "a trabalhar com a comunidade no sentido de ativar algumas respostas e estruturar o voluntariado", revelou o autarca.

E de um projeto pensado também para dar "respostas novas", Fernando Paulo afirmou, a esse nível, que o apoio domiciliário tipificado "pode configurar o apoio na alimentação ou na higiene pessoal ou da alimentação", sendo que o trabalho não se esgota aí,

"Hoje há outras respostas que temos de garantir, nomeadamente cuidados de saúde, ao nível da enfermagem. Terão de haver respostas atípicas em algumas situações", assinalou vereador.

Com "sete mil pessoas" identificadas a viver nas habitações camarárias "com mais de 65 anos", sendo que "duas mil vivem isoladas", o município pretende ainda juntar um "apoio profissional" ao que já ocorre pela via do voluntariado.

"Se o voluntariado resolve algumas situações com um apoio mais pontual, há outro tipo de situações, como a toma de medicamentos, que podem exigir uma resposta mais profissional", como são os "laços de vizinhança ou de rede familiar que garantem alguns dias, mas para algumas situações mais severas poderá ter de juntar-se ao voluntariado uma resposta mais profissional", disse.

Sustentado tratar-se de um "trabalho muito integrado, muito transversal porque há muitas situações associadas, como a insuficiência de recursos, de respostas, a falta de retaguarda familiar ou de vizinhança", o autarca defendeu o "estudar de várias situações para encontrar a resposta adequada em função da vulnerabilidade, fragilidade ou insuficiência de recursos".

Fernando Paulo quer o diagnóstico e planeamento "atualizado permanentemente", explicando que "um idoso com problemas de saúde que viva num terceiro ou quarto andar, pode obrigar à transferência de habitação".

Projetando, mais tarde, "alargar" o projeto a toda a cidade, Fernando Paulo citou ainda o exemplo da PSP que "tem hoje algumas respostas ao nível dos idosos que vivem em situação de isolamento" não só em conjuntos habitacionais, mas também na cidade, mas que "fica aquém por insuficiência de recursos".

O projeto tem ainda o apoio das juntas de freguesia e estruturas das Instituições Particulares de Solidariedade Social do Porto.

Presente na cerimónia, o presidente da CMP, Rui Moreira deu conta da preocupação deixadas pelos quadros dos Centros Hospitalares do Porto, com que disse ter-se reunido na sexta-feira, devido aos problemas causados pela continuação dos idosos nos hospitais após terem alta.

"Há centenas de idoso que são internados e que depois ficam por lá por falta de apoio nas suas casas, o que exerce uma pressão enorme sobre o setor da saúde", afirmou o autarca, pedindo depois a todos ajuda na resolução do problema de isolamento em que se encontram essas pessoas.