Souto Moura

Torre para estação de São Bento no Porto terá 21 metros e um piso

Torre para estação de São Bento no Porto terá 21 metros e um piso

A torre prevista para a estação de São Bento, no Porto, tem cerca de 21 metros e um piso, revelou o arquiteto Eduardo Souto Moura, numa apresentação que deixou o presidente da câmara "inteiramente favorável" ao projeto.

"Reparar integralmente os armazéns a sul" foi uma das condições impostas por Souto Moura quando foi contactado pela Time Out para rever o projeto para a ala sul da centenária estação de São Bento, revelou, esta terça-feira, aquele arquiteto no período de antes da ordem do dia da reunião camarária, explicando que a torre prevista para o local é "metálica", "só tem um piso no topo, para um restaurante ou bar" com "vista para a Torre dos Clérigos" e "cerca de 20 a 21 metros, para alinhar com a cornija da estação".

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, mostrou-se "inteiramente favorável ao projeto" de Souto Moura, atualmente em fase de Pedido de Informação Prévia (PIP) e que, por dizer respeito a uma zona classificada como Património da Humanidade, foi encaminhado pela Direção Geral do Património Cultural (DGPC) para a UNESCO.

"Não vemos sentido em colocar objeção ao projeto", afirmou o autarca, destacando que "as cidades se desenvolvem, também, através do espírito criativo dos seus artistas e arquitetos".

Souto Moura esclareceu que, inicialmente, a torre tinha "18 metros de altura", mas "parecia envergonhada", pelo que "subiu cerca de dois metros para alinhar com a cornija da estação" e melhorar a "relação com os torreões", à cota da Rua do Loureiro.

O arquiteto referiu ainda a "reparação integral" dos armazéns a sul da estação, onde ficarão restaurantes e cafés, ficando, atrás da torre, "os escritórios da revista Time Out".

Na sessão, Manuel Pizarro, do PS, disse que gostaria de uma "visão mais multiusos" para a cidade, nomeadamente para junto da estação, referindo-se a "áreas da economia que não sejam dominantemente a restauração". Já a comunista Ilda Figueiredo lamentou que o projeto não contemple espaços para "mais atividades culturais".

Rui Moreira lembrou que "o excesso de conservadorismo" teria deixado o Porto sem "a Torre dos Clérigos ou a ponte Luiz I".

Para o autarca, "seria intolerável e uma pena daqui a 50 anos pensar-se por que motivo a cidade não foi capaz de deixar esta impressão na arquitetura do Porto".

Um projeto inicial da "Time Out" para aquele local foi arquivado em janeiro de 2017 pela Porto Vivo - Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU), depois de a empresa pedir a suspensão da apreciação do PIP.

Em causa estava um mercado com 2200 metros quadrados, 500 lugares, 15 restaurantes, quatro bares, quatro lojas, uma cafetaria e uma galeria de arte.

Na reunião camarária de dia 06 de fevereiro, Rui Moreira mostrou-se tranquilo quanto ao novo projeto para a estação de São Bento, por ter obtido da SRU a garantia de que o mesmo não avançava "sem autorização da autarquia".

Entretanto, o PCP apresentou no Parlamento um projeto de resolução para "recomendar ao Governo que inicie, com a maior urgência possível, o processo de delimitação e criação da Zona Especial de Proteção (ZEP) do Centro Histórico do Porto".

No documento, o PCP alerta que a proteção foi constituída "depois da classificação daquela zona como património da Humanidade" (1996), através de publicação em Diário da República, mas acabou "anulada" por "impugnação judicial da Câmara de Vila Nova de Gaia".

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