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Jornalistas, homens e mulheres de letras ilustram a história

Jornalistas, homens e mulheres de letras ilustram a história

"Eppur si muove". "E contudo ela move-se", a narrativa de 140 anos de associativismo, de ação cultural, de resistência e de emancipação de género no Porto.

Três séculos, 140 anos de história, revoluções, revoltas, a Monarquia, a República e a mesma matriz de sempre, a de uma tertúlia nada restrita e depositária de uma atividade intensa. Tudo descrito em "eppur si muove, Uma História Ilustrada da Associação de Jornalistas e Homens de Letras da Cidade do Porto". Ou "a consciência de uma história que continua", como verificou Inês Cardoso, diretora do JN, a quem coube apresentar a obra da jornalista Manuela Espírito Santo.

"É também a história da cidade e das suas dinâmicas de resistência", acrescentou Inês Cardoso, que dirige "o único jornal da cidade que se mantém desde a fundação da associação", como observou a própria autora do livro, outra mulher, a contribuir para o debate espontaneamente suscitado sobre o que hoje seria um batismo "politicamente incorreto", o de uma associação de homens para homens.

"Por isso, as mulheres em condições de o fazer que se inscrevam nesta instituição. Façam o favor de se inscrever. Já não precisam da autorização dos maridos", disse Manuela Espírito Santo, a lembrar a revisão estatutária de 1896, que emancipou e permitiu a adesão das mulheres à Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto (AJHLP).

Anacronismos à parte, o historiador Germano Silva, decano dos jornalistas, que, aos 90 anos, se mantém em intensa atividade, fez o enquadramento histórico da AJHLP e recordou os colóquios da associação, nos anos 1960, "que causaram engulhos à Primavera marcelista e à PIDE, no combate ativo às prepotências e à censura".

Liberdade, vanguarda

A AJHLP foi criada no dia 13 de outubro de 1882. E "Eppur si muove". "E contudo ela move-se!". Os primeiros estatutos da instituição datam de 1885 e realçam a defesa da liberdade de expressão. Mais de quatro centenas de escritores, jornalistas, atores, artistas plásticos ou personalidades ligadas à ciência - de Portugal, de outras partes da lusofonia, e da Galiza - estão filiados na AJHLP, que faz da atividade cultural uma marca de vanguarda.

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Por lá passaram inúmeros vultos da cultura, das artes e da ciência. Entre tantos outros, intelectuais como Junqueiro, Moravia, Eco, Pascoaes, Saramago, Cortesão, ou Ferlinghetti deixaram marca indelével na associação.

O presidente da República Bernardino Machado lançou a primeira pedra do edifício da Rua Rodrigues Sampaio, no coração do Porto, onde se mantém a sede da AJHLP. A associação dispõe de uma biblioteca com cerca de 30 mil títulos e arquivo de manuscritos, fotografias e outros documentos de relevante importância cultural.

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