Escritura

Lello adquire Teatro Sá da Bandeira por 3,5 milhões de euros

Lello adquire Teatro Sá da Bandeira por 3,5 milhões de euros

A Livraria Lello formalizou a compra do Teatro Sá Bandeira, por 3,5 milhões de euros, com a assinatura da escritura que decorreu esta terça-feira, no Porto, tendo sido anunciado que a sala de espetáculos vai sofrer "obras de restauro e conservação", embora ainda não existam datas para a intervenção.

Aurora Pedro Pinto, administradora da Livraria Lello, adiantou que a ideia para o Sá da Bandeira é ter um "espaço multicultural". Também disse que "o projeto ainda não foi estruturado" e que vão falar com "arquitetos e entidades para ajudar" na intervenção.

O valor da compra, 3.5 milhões de euros, foi pago esta terça-feira na tesouraria municipal, antes da assinatura da escritura, que decorreu nas instalações da livraria, na Rua das Carmelitas, e na qual também participou o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.

"Sabemos que fica em boas mãos. Tivemos a sorte de ter empresários da cidade a quererem apostar na Cultura. Num S. João triste, este é o momento mais importante da festividade este ano", referiu o autarca, aludindo às restrições impostas às celebrações são-joaninas, em virtude da pandemia de covid-19.

"Amar a Lello, o Sá da Bandeira e o Porto está na raiz no nosso projeto. Queremos que a cidade recupere o seu fulgor para ser um destino de referência. O Teatro, a mais antiga sala de espetáculos, é uma jóia. A sua compra é uma prenda da Livraria Lello à cidade e a todos nós!"", exclamou Aurora Pedro Pinto.

"Vimos uma oportunidade, onde outros viram uma ameaça", continuou a administradora. "Estou muito feliz pelo acontecimento. É um momento de grande alegria, ainda por cima neste momento de 'confinamento'. A escritura foi adiada uns meses, pois esteve para ser feita no Dia Mundial do Teatro, mas acabou por fazer-se na véspera de S. João, outra data importante. As duas casas, Lello e Sá da Bandeira, fazem agora parte da nossa vida", destacou.

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Rui Moreira recordou o processo relativo ao Teatro Sá da Bandeira, lembrando que a Câmara do Porto teve que exercer o direito de preferência por "temer que no imóvel fosse exercido outro tipo de atividade ou até destruído". Anotou, igualmente, que o direito de preferência foi exercido na véspera das eleições autárquicas e que "todas as forças políticas apoiaram", classificando este "consenso" como um "sintoma do civismo da cidade".

Depois enumerou os passos dados. "Iniciámos o processo de classificação do Teatro. Levou tempo no Tribunal de Contas e tiveram que ser os donos de então a pagar as custas, naquilo que considero ser uma situação anacrónica. Deram-nos razão e foi colocado à venda em hasta pública", relembrou, para ilustrar a transparência da operação efetuada entre a Autarquia e a Lello.

Rui Moreira disse confiar que "a Cultura é um bom negócio" e que o "caminho é por aqui", conforme ilustra o sucesso da Livraria Lello. O autarca aproveitou para salientar que "a cidade não está gentrificada" e que, prova disso, é que "os estrangeiros que cá vêm sentem-se no Porto". Referiu, ainda, que o Teatro Nacional, São João, o Teatro Municipal, Rivoli, e o Sá da Bandeira, nas mãos dos privados, podem complementar-se. "O Sá da Bandeira tem tido uma vertente comercial, de revista. Estou certo que com os novos proprietários vai marcar a diferença e que a Câmara vai articular-se com eles", concluiu.

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