Provedora do Munícipe

Maria José Azevedo regressa à Câmara do Porto 20 anos depois

Maria José Azevedo regressa à Câmara do Porto 20 anos depois

"Não estou aqui para fazer concorrência aos serviços e o meu papel será sempre o de facilitadora de entendimentos. Quero que os serviços entendam isso que estou aqui como aliada e não como uma ameaça". Foi desta forma que a antiga jornalista Maria José Azevedo tomou posse esta manhã como Provedora do Munícipe na Câmara do Porto, local onde também foi vereadora durante dois mandatos.

Maria José Azevedo assume que terá "um papel de mediador" entre os interesses da população e os da autarquia. "Na análise de casos em que os munícipes insistem que têm razão e muitas da vezes não têm mas permitir também aos serviços que alterem procedimentos, praticas e rotinas e que isso resulte numa melhor qualidade de atendimento", acrescentou a provedora. "Dirimir conflitos e fazer a mediação" numa casa que conhece bem, "com outros protagonistas e com uma prática completamente diferente" da de há 20 anos. "As coisas mudaram e mudaram para melhor seguramente", acrescentou.

Rui Moreira justificou a escolha da antiga jornalista por ser "uma pessoa que toda a cidade conhece, com um inegável conhecimento dos desafios e dos problemas do município mas também das atribuições e das competências que agora assume", destacando o seu papel enquanto autarca, "na área da habitação social, no combate à pobreza e à exclusão social".

O autarca agradeceu ao provedor cessante, o professor José Carlos Marques dos Santos, o trabalho desenvolvido desde 2018, quando esta figura foi criada pelo executivo. Neste período, Marques dos Santos recebeu 2096 queixas que resultaram em 31 recomendações, 46 notificações específicas de inconformidades e um parecer.

Maria José Azevedo é licenciada em História. Em 1975 foi professora em Angola e nos Açores e em 1977 passou a locutora nos estúdios da RTP também nos Açores. Apresentou o Festival RTP da Canção de 1978 ganho pelo grupo Gemini com o tema "Dai-Li-Dou" e nesse ano passa a jornalista, profissão que exerce até 1993, no Centro de Produção do Porto (Monte da Virgem, em Gaia). Paralelamente, leciona, entre 1985 e 1993, inicialmente no Centro de Formação de Jornalistas, de que foi membro fundadora, depois na Escola Superior de Jornalismo, as disciplinas de Semiótica da Comunicação, Introdução à Teoria da Comunicação, e Teorias da Comunicação Social. Entre 1994 e 2002 desempenhou as funções de Vereadora na Câmara Municipal do Porto, em exclusividade, em dois mandatos consecutivos, tendo sido responsável pelas da Habitação e Ação Social, Recursos Humanos e Proteção Civil.

No âmbito dessas funções, foi fundadora e primeira Presidente do Conselho Executivo da Fundação para o Desenvolvimento do Vale de Campanhã e primeira vogal do Conselho de Administração dos SMAS-Porto, até final do segundo mandato. Integrou as direções da Fundação para a Zona Histórica e do Museu da Indústria. A partir de 2001 foi Presidente da Direção da ESJ, CRL, cargo para o qual foi sucessivamente reeleita, até 2016 (então já Escola de Jornalismo do Porto, CRL). Fez dois mandatos como vereadora sem pelouro na Câmara de Valongo. Integra ainda a direção da associação sem fins lucrativos Mama Help, desde a sua fundação.

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