Comércio

Mercearias tradicionais com mais clientes e entregas ao domicílio

Mercearias tradicionais com mais clientes e entregas ao domicílio

Em altura de pandemia, população recorre ao comércio local, que também se adaptou aos novos tempos.

Fechar não foi opção e agora trabalha-se com espírito de missão para ajudar aqueles que não podem ou evitam sair à rua. Enquanto grande parte dos negócios fecharam e lutam contra a crise provocada pela Covid-19, as mercearias de bairro inovam e prosperam. Os pedidos e encomendas são agora feitos pelo telefone e os bens entregues diretamente em casa dos clientes.

Na Areosa, na mercearia de Adélio Campos, o trabalho não pára. Nunca parou. À porta, uma cliente vai-se servindo de tangerinas, maçãs e peras, enquanto espera para poder entrar.

"Desde o início da pandemia tivemos um aumento de 20% a 25% nas vendas. Os clientes dizem-nos que nas grandes superfícies é muito massivo e preferem comprar localmente", explica o merceeiro que, por perto, tem três supermercados. Do outro lado da rua, à janela de um segundo andar, um cliente vigia os passos de Adélio. Está à espera da encomenda que fez: garrafões de água e legumes.

"Temos uma grande percentagem de novos clientes e mantemos os antigos, que são de mais idade e preferem não sair de casa", dá conta Adélio. O sistema é simples: basta uma mensagem ou chamada e o merceeiro prepara a encomenda. "Vou até casa das pessoas, deixo a encomenda à porta ou no elevador e é só recolher".

Mudança de hábitos

Apesar da redução nos horários e da limitação do número de clientes dentro da loja, os proprietários das mercearias admitem ter maior procura. Já passa do meio-dia e, por isso, há poucos clientes na loja. Mesmo assim, ninguém tem descanso. João Paulo até já deu conta de que os clientes estão a mudar de hábitos. É gerente da Loja do Zé, na Avenida de Rodrigues de Freitas, no Porto, e reparou que a população tem procurado mais frutas e legumes. "Agora as famílias estão em casa e por isso cozinham muito mais", descreve João Paulo, lembrando que na mercearia recebe produtos frescos três vezes ao dia. "Trabalhamos com fornecedores locais e por isso não temos problemas com os abastecimentos", confessa.

No Auto Mercado do Marquês, também no Porto, funcionárias e loja estão devidamente preparadas. Máscaras, luvas e, nos balcões, um acrílico para proteger empregados e clientes. As encomendas não param de chegar.

"Nós preparamos tudo. O cliente só tem de ligar e no dia seguinte passa e levanta as compras. Evitamos que se acumulem aqui", explica Cidália Fonseca, proprietária do espaço comercial. "Estamos a vender muito mais porque as pessoas evitam as grandes superfícies", acrescenta.

No Campo 24 de Agosto, Bonfim, existem pelo menos três mercearias, mas a procura chega para todos. No Rui das Frutas Frescas, todos os clientes têm de calçar luvas antes de entrar na loja e nos morangos só mexem os funcionários.

Preços fazem diferença

Nesta loja sobra pouco tempo para respirar. À porta, meia dúzia de pessoas esperam pela sua vez.

"Temos muitos clientes a vir aqui e não são só os da vizinhança. Acho que preferem as lojas de rua às superfícies comerciais, até porque os preços também fazem a diferença", repara a jovem que trabalha na loja há quatro anos.

"Na nossa loja de Antero de Quental [Porto] adotamos o serviço ao domicílio o que também ajuda, agora que as pessoas preferem não sair de casa", remata.

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