Presidente da Câmara de Gaia

Metro na Ponte da Arrábida "não faz sentido absolutamente nenhum"

Metro na Ponte da Arrábida "não faz sentido absolutamente nenhum"

Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara de Gaia, considera "legítimo" que o autarca do Porto, Rui Moreira, tenha dúvidas sobre "o modelo de inserção" da nova ponte para o metro. No que toca às alternativas que têm sido sugeridas, em especial uma eventual inserção da futura linha Rubi na Ponte da Arrábida, o autarca gaiense considera não fazerem "sentido nenhum" e que até "iria desvirtuar aquilo que o metro significa".

Sobre a dúvida que o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, admitiu ter, no início desta semana, no que toca à "necessidade" de uma nova ponte para receber o metro da futura linha Rubi, o autarca de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, considera ser legítima. "O presidente da Câmara do Porto disse, e muito bem, que tem dúvidas sobre a ponte naquilo que é o modelo de inserção que foi amplamente discutido nos últimos meses. E eu acho que é legítimo que ele diga isso, porque as certezas absolutas já nem nas ciências exatas se encontram", justificou o autarca gaiense.

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Eduardo Vítor Rodrigues, que falava à margem da reunião do Conselho Metropolitano do Porto que decorreu durante a manhã desta sexta-feira, sublinhou que a afirmação de Rui Moreira "não põe em causa nem a importância da linha Rubi nem da travessia" e que, por outro lado, serve para que ambos os Municípios exigam "levar até ao limite a qualidade da inserção urbana que a ponte vai ter dos dois lados".

Até porque, reforçou, "não estão em causa soluções alternativas, que já se demonstrou não fazerem sentido absolutamente nenhum". O presidente da Câmara de Gaia referia-se à eventual possibilidade de a ponte da Arrábida ser adaptada para receber a futura linha Rubi do metro do Porto.

As afirmações de Rui Moreira foram esta quinta-feira alvo de críticas por parte do deputado do PSD, Firmino Pereira, considerando que põem em causa um investimento financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e que é "estratégico para a região".

Metro na Ponte da Arrábida criaria "problema à circulação regional"

"Julgo que qualquer um de nós percebe bem que o metro em cima da Ponte da Arrábida, nas atuais condições, iria desvirtuar aquilo que o metro significa, que é transito fluído", observou Eduardo Vítor Rodrigues, descrevendo que a característica do metro é, ao mesmo tempo que "apanha passageiros gradualmente" ao longo das estações por onde passa, a implementação do futuro traçado irá, "inevitavelmente, diminuir a circulação de veículo próprio na travessia entre Porto e Gaia".

E uma integração do metro na Ponte da Arrábida, criaria "um problema à circulação regional" e que essa não é a função da Metro do Porto.

"Maia, Valongo, Gondomar, ou Santa Maria da Feira, não têm culpa nenhuma da travessia do metro entre o Porto e Gaia. Se tirarmos um canal de cada lado [da Ponte da Arrábida], estamos a afunilar ainda mais aquilo que ela representa. Porque, para alguns especialistas, a Ponte da Arrábida apenas serve para atravessar de Gaia para o Porto ou do Porto para Gaia. Mas se aprofundarem, e em vez de utilizarem o Google Maps, utilizarem mesmo as medições e a realidade, perceberão que é verdade que a Ponte da Arrábida se urbanizou, mas também é muito verdade que continua a ser um dos principais atravessamentos regionais e nacionais, juntamente com a Ponte do Freixo. Veja-se, aliás, que este mesmo raciocínio é o mesmo que deu lugar à construção de uma ponte nova, a Ponte do Infante, para libertar o tabuleiro superior da Ponte Luís I para o metro", recordou o presidente da Câmara de Gaia.

"Essa solução está posta de parte"

Para Eduardo Vítor Rodrigues, falar-se nessa solução é uma tentativa de "compatibilizar o que é incompatível", criando-se "problemas e remendos".

"Nem eu nem o presidente da Câmara do Porto queremos remendos, nem soluções de remendos como atirar o metro para cima da Ponte da Arrábida. Por isso, essa solução está posta de parte", garantiu o autarca de Gaia. É, precisamente, essa questão, de eventuais "remendos com inserções mal feitas do lado do Porto ou do lado de Gaia", que preocupa o autarca do Porto, notou Eduardo Vítor Rodrigues.

Altura do tabuleiro permite "proteger visualmente" a Ponte da Arrábida

O presidente da Câmara de Gaia diz ainda saber que "há quem esteja muito empenhado para que as coisas não andem para poderem depois criticar". No entanto, acrescenta, "aqui houve uma grande articulação entre o Porto, Gaia, a Metro do Porto, o ministro, à época, Matos Fernandes, e houve uma opção que não pode ser ignorada".

"Os problemas que a ponte hoje traz decorrem da definição de uma altura do tabuleiro que permite proteger, visualmente, a Ponte da Arrábida. Se não tivéssemos contemplado isto, hoje estariam com certeza muitos críticos a atirar-se à ponte por não proteger a Ponte da Arrábida. Diria: preso por ter cão e preso por não ter. Estou absolutamente certo de que, aquilo que tem sido a nossa exigência, - que o presidente Rui Moreira verbalizou de forma mais veemente, e que tem sido a que temos posto junto da Metro do Porto na afinação da integração urbana de ambos os lados do tabuleiro -, vai permitir, no final, que todos se sintam honrados e dignificados com a solução encontrada", acredita Eduardo Vítor Rodrigues.

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