Património

Ministro da Cultura foi o visitante seis milhões dos Clérigos

Ministro da Cultura foi o visitante seis milhões dos Clérigos

Se, em 2020, o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, foi o escolhido para comemorar o visitante cinco milhões da Torre dos Clérigos, esta terça-feira o emblemático monumento do Porto contou com o ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, para assinalar a meta dos seis milhões. Na visita, o governante disse acompanhar a proposta da Câmara do Porto para a concessão do Coliseu a privados.

"É uma enorme satisfação assinalar os seis milhões, sobretudo após o que se passou com a pandemia. É um sinal de que a recuperação também está a chegar ao setor da Cultura. Ter esta boa notícia de que os visitantes em 2022 estão até a ultrapassar o que se passou em 2019 deixa-nos cheios de otimismo e dá conta da importância do património para diferenciar a oferta turística. O património é fundamental para nos identificarmos enquanto cidade e enquanto país. Ser também uma atração para o turismo é uma combinação virtuosa", destacou.

No Porto, o ministro garantiu que a Cultura terá verbas reforçadas do Orçamento de Estado. "Os recursos são mesmo necessários e o compromisso é fazer aumentar a verba para 2,5% no final da legislatura, considerando a despesa discricionária. Vamos cumprir. Isso implica um crescimento significativo já em 2023. Essa garantia posso dar", disse.

Quanto ao Coliseu, cujo espaço a Câmara do Porto defende a concessão a privados, Pedro Adão e Silva disse acompanhar essa proposta e estar à disposição dos deputados para falar sobre o assunto, mesmo depois do pedido de audição do BE ter sido chumbado pela Comissão Parlamentar.

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"O Governo acompanhou uma proposta da Câmara do Porto para avançar para a concessão. Essa proposta está alinhada com aquilo que a Associação Amigos do Coliseu já tinha decidido em Assembleia Geral. Seria um pouco estranho que um Governo decidisse ao contrário das câmaras municipais. As câmaras, por definição, estão mais bem posicionadas para tomar decisões naquilo que são os interesses no seu concelho", referiu.

"Quando houver novidades sobre o Coliseu, nomeadamente quando se iniciar a discussão sobre o contrato que estará na base da concessão, estarei disponível para prestar os esclarecimentos aos deputados", concluiu.

A Torre dos Clérigos tem recebido vários prémios. Este ano, por exemplo, foi distinguida com o Travelers"s Choice Award. No primeiro semestre de 2022 contaram-se cerca de meio milhão de visitantes, sendo 80% oriundos do mercado internacional, com destaque para França, Espanha, Reino Unido, EUA, Alemanha e Itália.

As receitas provenientes das visitas são aplicadas nos trabalhos de manutenção e restauro das peças do complexo. Parte do dinheiro também serve para apoiar instituições e hospitais da Área Metropolitana do Porto.

Coleção Berardo

Pedro Adão e Silva também fez o ponto de situação relativamente à Coleção Berardo. "O Governo, através do Ministério da Cultura, decidiu denunciar o contrato que existia com a Associação Coleção Berardo e que vigorava há vários anos. A Coleção Berardo é única no contexto nacional. Infelizmente não temos outras coleções de arte moderna que cubram o século XX como essa coleção. Quanto vale? Ninguém sabe, porque não foi feita uma avaliação recentemente, nem há razão para isso", declarou.

"Neste momento, a coleção está num quadro de enorme indefinição. Há um arresto decretado pelos tribunais, por força de um processo em que o Estado não é parte. Há um processo entre três bancos e o senhor Berardo, e o juiz decretou um arresto. Perante o quadro de incerteza que decorre do arresto, achamos que o melhor era denunciar o contrato e dar uma garantia: enquanto vigorar o arresto, o Estado assegura o pagamento dos seguros, a salvaguarda da coleção e a sua preservação. Isso é do interesse de todas as partes", assinalou.

"Quando existir uma decisão do tribunal sobre quem é o legítimo proprietário, o Estado estará disponível para negociar com o proprietário um novo protocolo. Esse protocolo terá uma enorme diferença em relação ao que vigora agora: é que será um protocolo sobre a coleção e não um protocolo em que o próprio Centro Cultural de Belém está ao serviço da coleção", explicou.

"A partir do dia 1 de janeiro, onde hoje é o Museu Berardo teremos o Centro Cultural de Belém a gerir um espaço que na verdade é seu. Isso permitirá lançar as bases do que será um futuro museu da arte contemporânea em Belém", adiantou o ministro.

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