Porto

Moradores contra eliminação de marquises no bairro da Pasteleira

Moradores contra eliminação de marquises no bairro da Pasteleira

Os moradores do rés-do-chão do Bairro da Pasteleira, no Porto, fizeram um abaixo-assinado para pedir à Autarquia que, no projeto de reabilitação do edificado, mantenha as marquises com porta para a rua. Segundo os moradores, com as obras, está prevista a substituição das entradas individuais por corredores partilhados. A ideia desagrada.

"Não faz sentido. Vivo no rés-do-chão e entro diretamente em minha casa sem ter de passar por vizinho nenhum. Com as obras, tiram-me a minha independência. Além disso, as casas são muito pequeninas e colocamos algumas coisas na marquise", criticou Carla Torres, moradora no bairro há quase uma década, sem esconder a revolta com a situação durante uma visita da CDU à Pasteleira.

"Tenho um filho asmático e torna-se chato ter de levar com o pêlo dos animais do vizinho ou com o pó. O menino que tem problemas de saúde já não vai estar tão resguardado como está agora. Não faz sentido, os outros bairros serem intervencionados e ficarem com as marquises independentes e no nosso tirarem-nos as marquises", relatou Carla Torres, lamentando que os moradores não sejam ouvidos pela Autarquia.

A Câmara do Porto garante que "tem vindo a reunir com a associação de moradores e assumiu o compromisso de, antes do arranque das obras em cada bloco, reunir também com os representantes desses mesmos blocos". A intervenção, num investimento de cerca de 11,5 milhões de euros, está divida em quatro fases. Estão já concluídas as obras no bloco 1 e, em curso, está a requalificação de 20 blocos. Os restantes aguardam o fim do concurso público.

A Autarquia recorda ainda que, em meados de fevereiro, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, e o vereador da Habitação e Coesão Social, Fernando Paulo, reuniram com associação de moradores para apresentar plano das obras de reabilitação nos Paços do Concelho.

A viver há meio século na Pasteleira, Carolina Sousa também não concorda com o plano para o bairro. "A Câmara nunca pregou um prego aqui dentro. Quando me deu esta casa era um barraco. Eu é que fiz as obras. Estou muito triste [por ficar sem a porta para a rua]", disse a mulher, de 83 anos.

A vizinha, Arminda Freitas também se mostra "revoltada". "As obras são necessárias e urgentes. Tenho muita humidade em casa. Mas não concordo que nos tirem a marquise. Ficamos sem a nossa independência. Além disso, como as casas são pequeninas, usamos as marquises para guardar as coisas", contou a moradora.

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Alertando para a necessidade de ouvir os moradores, Ilda Figueiredo, vereadora da CDU na Câmara do Porto, garantiu que vai levar o tema à próxima reunião de Câmara. "As marquises do rés-do-chão em 16 blocos existem há dezenas de anos e as pessoas não querem que sejam destruídas. O projeto tem de ser revisto para ter em conta a posição dos moradores. Há outros problemas noutros blocos que também resultam de não ouvir as pessoas, designadamente a questão dos estendais", referiu Ilda Figueiredo.

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