Zona Oriental

Moradores dos bairros do Cerco, Lagarteiro e Falcão chamados a participar na criação de parque verde 

Moradores dos bairros do Cerco, Lagarteiro e Falcão chamados a participar na criação de parque verde 

Do vasto conjunto de projetos de criação de espaços verdes na cidade, o Parque da Alameda de Cartes, na zona oriental do Porto, destaca-se por, dada a sua localização geográfica, contar com a participação dos moradores dos bairros camarários, chamados a colaborar com ideias para este corredor ecológico que ligará toda uma área deprimida ao centro da cidade.

Assim, os residentes dos bairros sociais do Cerco, Lagarteiro e do Falcão escolherem o que pretendiam para a envolvente de uma avenida despida de pontos de interesse, mal integrada na área residencial e até foco de insegurança. O objetivo é fazer deste corredor verde que integrará uma escola e um campo de jogos, uma ligação entre a Praça da Corujeira, cuja requalificação integra o projeto estruturante do antigo matadouro, e o Parque Oriental.

O projeto da criação deste "corredor verde" foi hoje apresentado pela autarquia na reunião do executivo e será desenvolvido no âmbito do URBiNAT, um projeto financiado pelo programa Horizonte 2020 da Comissão Europeia, que tem como "principal objetivo promover a regeneração urbana de áreas desfavorecidas através da implementação de soluções baseadas na natureza, seguindo um rigoroso processo de análise do lugar e suportado por um processo participativo que envolve cidadãos, agentes locais e decisores políticos".

A área de intervenção é constituída por terrenos públicos, localizados no interface entre o Bairro do Falcão, Bairro do Cerco do Porto, Bairro do Lagarteiro e área de expansão do parque oriental. "O mais importante do projeto é a população indicar os problemas que devem ser resolvidos, sendo as acessibilidades a questão fundamental a corrigir", explicou na reunião do executivo o vereador do Ambiente, Filipe Araújo. Este é um território com grandes descontinuidades geradas pela topografia de declives acentuados e pela fragmentação imposta pelas infraestruturas viárias. Ao longo dos anos, a população criou vários "caminhos de pé de coxo" que serão agora substituídos por passagens seguras e de fácil acesso também para pessoas de mobilidade reduzida.

O projeto tira partido dos muros e terraços pré-existentes, da preservação de valores naturais, nomeadamente os sobreiros pré-existentes, fazendo-se a circulação pedonal e ciclável através de suaves declives. Toda uma conexão entre pequenos jardins de proximidade, hortas ou outras soluções verdes, facilitando a vida aos residentes. A área de intervenção é de cerca quatro hectares, as obras arrancam dentro de uma ano e vão custar 1,4 milhões de euros.

Integram a equipa do URBiNAT a Câmara do Porto, a Domus Social EM, o CIBIO-Centro de Investigação de Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade Porto, o GUDA (Atelier de Design, Lisboa) e o CES (Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra). Este projeto europeu decorrerá até 2023 e tem como prioridade o desenvolvimento de corredores saudáveis em sete cidades europeias (entre as quais o Porto) através de uma regeneração urbana inovadora e inclusiva, a partir do co-construção e co-implementação de soluções baseadas na natureza, envolvendo a comunidade local.

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