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Moradores e comerciantes do Porto contra "movida" da Baixa

Moradores e comerciantes do Porto contra "movida" da Baixa

Um grupo de moradores, comerciantes e trabalhadores da zona da Vitória, Porto, reuniram-se este sábado para formalizar um movimento de contestação ao ruído e poluição da nova movida da cidade.

"É impossível viver com isto. As pessoas ficam malucas. A qualidade de vida não existe com a poluição sonora e ambiental que atualmente existe nesta zona do centro histórico", desabafou, em declarações à agência Lusa, Mariana Martins, de 24 anos, uma pós-graduada em arquitetura que trabalha na freguesia.

A reunião de hoje foi "um primeiro passo para formalizar um movimento para defender a qualidade de vida" na "Baixa", afectada pela concentração de bares naquela zona do Porto, e "organizá-lo como plataforma cívica", explicou Mariana Martins, que participou no encontro.

Entretanto, começou já a circular um "Manifesto pela qualidade de vida na 'Baixa' do Porto", para entregar ao presidente da Câmara, apelando a uma "intervenção urgente" nesta zona da cidade.

"Na sequência de uma série de queixas transversais a moradores e comerciantes da freguesia da Vitória", o movimento pretende sensibilizar a autarquia "para uma intervenção urgente de conciliação entre cidade diurna e cidade noturna", com vista a "pôr cobro aos abusos ao património edificado e humano da cidade", escreve-se no documento, a que a Lusa teve acesso.

Moradores e comerciantes consideram que o fenómeno classificado como 'movida' ou até 'botellón' tem reanimado a cidade e a 'Baixa' e não pretendem, por isso, "opor-se à existência destas iniciativas".

No entanto, alertam para "dois graves problemas associados a esta 'movida'": a poluição ambiental e sonora, que "têm vindo a prejudicar a qualidade de vida dos moradores e comerciantes".

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A poluição sonora verifica-se "durante um período compreendido entre a meia-noite e as cinco da manhã, por norma de quarta-feira até à madrugada de domingo", o que "não tem permitido o descanso dos moradores" e "tem inclusive afastado potenciais novos moradores", escreve-se no manifesto.

O documento critica a poluição ambiental e "a falta de civismo" dos utilizadores dos bares, bem como "a falta de civismo dos mesmos" e o "desrespeito pelas regras de funcionamento dos diferentes estabelecimentos pelos proprietários" dos mesmos.

"Os serviços de limpeza mostram-se ineficientes e descoordenados com os horários desta utilização, sendo que o resultado é que os comerciantes se veem condenados a dar início à mesma, à medida que abrem as portas dos seus estabelecimentos", observa-se.

A 22 de fevereiro, o vereador do Urbanismo da autarquia, Gonçalo Gonçalves, revelou que o grupo de trabalho criado em janeiro para resolver os problemas da nova "movida" noturna da "Baixa" da cidade devia apresentar em breve um plano de atuação.

Resolver os problemas de estacionamento e uniformizar os horários dos estabelecimentos de diversão noturna são dois dos objetivos do grupo de trabalho, referiu Gonçalo Gonçalves.

Já em setembro de 2010, o vice-presidente da autarquia, Álvaro Castello-Branco, tinha anunciado que iria promover uma reunião entre os moradores e os donos dos estabelecimentos de diversão noturna da Travessa de Cedofeita para encontrar uma solução para o ruído naquela zona, depois de uma queixa apresentada na reunião do executivo por uma moradora.

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