Autárquicas

Moreira candidata-se ao Porto e quer fazer "a história" e não "obras faraónicas"

Moreira candidata-se ao Porto e quer fazer "a história" e não "obras faraónicas"

Rui Moreira formalizou, esta quinta-feira, com a entrega de 23 mil assinaturas, a candidatura a um terceiro mandato à Câmara do Porto, "não para fazer obras faraónicas" ou "ficar na história", mas para "fazer a história".

"Este nosso movimento independente quer concorrer à Câmara do Porto e voltar a ganhar as eleições para melhorar a vida dos portuenses. Não é para fazer grandes obras faraónicas, não é para ficar na história, é para fazermos a história. São coisas diferentes", assinalou em declarações aos jornalistas, à saída do Palácio da Justiça onde entregou as 23 mil assinaturas.

O independente que lidera a Câmara do Porto desde 2013, salientou que as grandes obras, como o Mercado do Bolhão, o Terminal Intermodal de Campanhã ou o Matadouro Industrial, não são em si uma prioridade, decorrem antes das prioridades definidas pelo executivo municipal.

"Nós não queremos fazer o Bolhão para ser um museu, queremos fazer o Bolhão porque é importante para as pessoas que lá trabalham, para as pessoas que querem fazer compras e importante para a cidade, é importante para a autoestima", disse, salientando que algumas das obras que estão agora a ser terminadas "eram aquelas que não tinham começado e que tinham sido prometidas há 30 anos".

Apontando como desafio para o próximo mandato o desígnio da cidadania, com aposta na qualidade de vida dos portuenses, Moreira prometeu ainda continuar a assumir-se como uma voz ativa perante o poder central, na defesa da região Norte, salientando que, como autarca, nunca deixou de discutir a regionalização.

O candidato independente que começa a ser julgado em novembro no âmbito do caso Selminho, onde é acusado de favorecer a imobiliária da família, da qual era sócio, mostrou-se ainda pouco preocupado com o impacto do processo na sua eleição, salientando que o tema tinha já sido colocado em cima da mesa nas eleições autárquicas de 2017.

Reconhecendo que a acusação no caso Selminho lhe causou preocupação, Moreira considera, contudo, que os cidadãos do Porto farão a sua avaliação com base no que foi feito, no que representa o movimento e no projeto para o futuro.

PUB

Questionado sobre se o caso Selminho é o único argumento que a oposição encontra, o independente disse não confundir oposição com candidatos eleitorais.

Acompanhado pelos candidatos, o independente Rui Moreira partiu, ao início da tarde, da sua sede de candidatura, na Avenida dos Aliados, em direção ao Palácio da Justiça, na Cordoaria, onde já se encontrava a carrinha pão de forma, com as pastas onde estão reunidas as assinaturas, replicando o que aconteceu há quatro anos.

De acordo com a candidatura, o Grupo de Cidadãos Eleitores "Aqui Há Porto" recolheu, "em menos de um mês", 23.101 assinaturas, viabilizando aquele que era o objetivo inicial: apresentar as candidaturas à câmara municipal, à assembleia municipal e a seis juntas de freguesia.

Concorrem às eleições autárquicas pelo Grupo de Cidadãos Eleitores "Aqui Há Porto", mais de 300 candidatos, distribuídos pelas oito listas apresentadas.

A entrega do processo, dividido em dezenas de pastas, representa mais um obstáculo superado, criado pelos partidos políticos, afirmou Moreira.

"Conseguimos reverter aquilo que foi uma lei que tinha sido feita pelo Partido Socialista e pelo PSD para nos impedir de concorrer", observou, acrescentando que as assinaturas que hoje entregou davam "para formar três partidos políticos".

A lei autárquica obriga todos os Grupos de Cidadãos Eleitores à recolha de assinaturas para a efetivação legal das suas candidaturas.

As assinaturas recolhidas, assinalam o grupo de cidadãos, para todos os órgãos autárquicos, excederam em 72% o mínimo exigido por lei.

Para a Câmara Municipal, o número de assinaturas apresentada atingiu 194% (às 5041 assinaturas validadas, acrescem 2758 não verificadas) em comparação ao requerido.

À Câmara do Porto são já conhecidas as candidaturas de Ilda Figueiredo (CDU), Bebiana Cunha (PAN), Vladimiro Feliz (PSD), Tiago Barbosa Ribeiro (PS), Diogo Araújo Dantas (PPM), André Eira (Volt Portugal), António Fonseca (Chega), Bruno Rebelo (Ergue-te), Diamantino Raposinho (Livre) e a candidatura de Sérgio Aires (BE.

A autarquia é liderada pelo independente Rui Moreira, cujo movimento elegeu sete mandatos nas autárquicas de 2017, aos quais se somam quatro eleitos do PS, um do PSD e um da CDU.

As eleições autárquicas estão marcadas para 26 de setembro.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG