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Comércio e restauração

Moreira considera "imprudente" anunciar apoios sem conhecer medidas do Governo

Moreira considera "imprudente" anunciar apoios sem conhecer medidas do Governo

O presidente da Câmara do Porto considerou esta quarta-feira que estar a antecipar medidas de apoio ao comércio, restauração e hotelaria sem conhecer as medidas do Governo é "imprudente", defendendo que a necessidade de apoio suplementar será feita posteriormente.

"Eu até agora ainda não conheço as medidas do Governo, estar a antecipar medidas acho que seria imprudente e houve outros concelhos que tomaram medidas antecipadas e que depois se verificaram ser imprudentes. Isso eu não faço", afirmou Rui Moreira à margem de uma visita à Pousada da Juventude no Porto que começa, a partir desta quinta-feira, a funcionar como uma estrutura de retaguarda para receber doentes não infetados provenientes de instituições e lares onde existem casos de covid-19. No distrito do Porto, há 48 surtos ativos em lares, de acordo com Marco Martins, presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil do Porto, presente na mesma visita.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, anunciou na terça-feira um programa para o comércio e restauração da capital, no valor de 20 milhões de euros, com apoios a fundo perdido entre quatro e oito mil euros. O programa deverá abranger cerca de oito mil empresas e empresários da cidade, que representam 80% do setor na capital e 100 mil empregos, e será pago em duas tranches, entre o próximo mês e março de 2021.

Em declarações aos jornalistas, Rui Moreira sublinhou que aguarda que o Governo divulgue concretamente o pacote de medidas que o primeiro-ministro, António Costa, anunciou na terça-feira, para analisar a viabilidade de um apoio suplementar da autarquia para estes setores.

"Entendemos que esta é uma matéria da competência do Governo e depois nós, supletivamente, analisaremos se é preciso ou não é preciso, se é conveniente ou não é conveniente, se está ao nosso alcance ou não está ao nosso alcance tomar medidas adicionais", disse.

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No setor da hotelaria, o autarca reconheceu que a situação vivida é difícil, mas reiterou que vai aguardar as medidas que vão ser anunciadas pelo Governo antes de tomar qualquer decisão.

"Não há turistas, a situação é esta: não há turistas e não é por causa das decisões da cidade ou turismo. Estamos a viver uma situação em que o turismo parou. Aliás, Espanha acaba de anunciar que as pessoas, para entrarem em Espanha, têm de fazer testes. Aquilo que é promoção da cidade do Porto, isso faremos, agora o que não podemos é inventar turistas", disse, acrescentando que "se for preciso fazer alguma coisa", a autarquia fará.

Também o presidente da Área Metropolitana do Porto (AMP), Eduardo Vítor Rodrigues, quer que o Governo se pronuncie sobre os horários de abertura das superfícies comerciais nos fins de semana e critica "decisões individuais" que "podem pôr em risco o espírito das regras".

"Há um vazio no decreto do estado de emergência que define os encerramentos, mas não define quando podem abrir (...). Começamos a ver anúncios e pedidos de médias superfícies para abrir às 6.30 horas. Ou isto é para pensar como uma estratégia de confinamento e utilização minimalista dos serviços ou fica difícil explicar às pessoas o objetivo de tudo isto", defendeu Eduardo Vítor Rodrigues, após uma reunião juntou no Porto vários autarcas e os secretários de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, e da Mobilidade, Eduardo Pinheiro.

Após este encontro, Marco Martins pediu que as medidas do estado de emergência tenham "o mínimo de exceções possível" e sejam "fiscalizáveis" nomeadamente no que toca aos horários de abertura e encerramento do comércio.

"As medidas devem ser universais e existir o mínimo de exceções possível. Também devem ser fáceis de fiscalizar porque as exceções dificultam o trabalho da PSP, Polícia Municipal e GNR", referiu o presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil do Porto e autarca de Gondomar.

Porto sem árvore de Natal

Questionado ainda sobre a decisão de suspender toda a atividade programada para a época natalícia, nomeadamente, a montagem da árvore de Natal e o fogo-de-artifício na passagem de ano, Moreira explicou que seria "absolutamente irresponsável" por parte da autarquia promover eventos onde, no passado, se juntaram milhares de pessoas.

"Se Deus quiser e o vírus também, nós para o ano teremos duas árvores de Natal em vez de uma. Mas este ano seria absolutamente irresponsável, por parte da Câmara do Porto, estar a dizer aos cidadãos que na medida do possível não devem procurar aglomerações e estar a promover fogo-de-artifício e a árvore de Natal porque das duas, uma: ou não ia lá ninguém e era deitar dinheiro fora ou ia lá toda a gente e íamos promover a infeção", declarou.

E acrescentou: "aquilo é um bocado a nossa onda da Nazaré, portanto não me peçam para promover a onda da Nazaré".

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