Transportes

Motoristas protestam na assinatura dos contratos da futura rede de transportes da AMP

Motoristas protestam na assinatura dos contratos da futura rede de transportes da AMP

Sindicato fala em 500 profissionais que irão para o desemprego. Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da AMP, diz que empresas afastadas prestavam mau serviço à população.

O Sindicato Nacional dos Motoristas fala em mais de 500 motoristas que vão para o desemprego com a concessão do serviço de transporte público de passageiros em 16 municípios da Área Metropolitana do Porto (AMP), cujos contratos dos quatro de cinco lotes (um continua travado por impugnação judicial) da futura rede foram assinados na manhã desta terça-feira no Porto, e esperam a partir de agora por luz verde do Tribunal de Contas (TC). Entretanto, darão entrada nos tribunais ações judiciais por parte dos trabalhadores.

"Não somos contra aos contratos que são hoje assinados mas queremos ver definidos os postos de trabalho que até à presente data ninguém se dignou resolver. Estamos aqui hoje para alertar algumas consciências e para que os presidentes de câmara percebam que estão muitos trabalhadores em causa e que é preciso, até à concretização de tudo isto, que existam listagens e que sejam garantidos todos os seus direitos", explicou ao JN Jorge Costa, dirigente sindical que liderou o grupo de protesto, constituído por cerca de meia centena de motoristas.

PUB

"Os operadores que venceram os concursos querem os trabalhadores a iniciar do zero e isso é inadmissível. Não vamos aceitar isso de forma nenhuma pois estamos a falar de trabalhadores com dez, quinze e vinte anos de antiguidade e que não podem perder todos os direitos", acrescenta o sindicalista. Apesar do frio nenhum dos manifestante arredou pé da porta da de da Área Metropolitana, aguardando a chegada dos autarcas.

Eduardo Vítor Rodrigues vaiado

Muitos dos autarcas não compareceram à cerimónia de assinatura dos contratos, faltando, afirma fonte da AMP, "por motivos de agenda". Eduardo Vítor Rodrigues, autarca de Gaia e presidente do organismo foi vaiado pelos manifestantes à chegada, "por ser o rosto deste processo mal conduzido".

No ato solene falou deste "dia do finalmente", sendo possível ao fim de três anos assinar contratos, após se iniciarem os concursos exigidos desde 2009 pela diretiva europeia. Eduardo Vítor Rodrigues relembrou o trabalho realizado em várias frentes, nomeadamente o tarifário/bilheteira e a importância do Programa de Apoio à Redução Tarifária nos Transportes Públicos (PART). Foram, salientou o autarca, "três anos de burocracias e de vitória de todas as batalhas jurídicas impostas", sendo o objetivo agora "acabar com um modelo deficiente e ultrapassado".

O ruído dos protestos no exterior fazia-se escutar, com o gritar de palavras de ordem e o som de buzinas. "Não sei se temos um problema com os motoristas ou se temos um problema com empresas que perderam um concurso e estão a utilizar alguns dos seus motoristas para fazer a derradeira afirmação de desprezo pelo concurso. A AMP não fez nada que não fosse exigido por lei. A diretiva europeia era de 2009, lançamos os concursos em 2019, foram publicados em 2020 e agora estamos a assinar os contratos", afirmou pouco depois aos jornalistas Eduardo Vítor Rodrigues.

Desvalorizando o que decorria no exterior, o autarca relembrou o que acontece em Lisboa, "o sentimento que existe nas empresas de falta de motoristas, para perceber que não só eles não vão para o desemprego como seguramente vão ter condições melhores do que tinham". Para justificar a decisão deste concurso, Eduardo Vítor Rodrigues faz o retrato do que acontece neste momento, em termos de transportes na AMP. "A realidade dos motoristas é serem insultados, é conduzirem autocarros com 30 anos, é terem uma péssima estrutura de serviços do ponto de vista laboral e o que se perspetiva é muito melhor. Os sindicatos e a organização contestatária podem sempre levantar os seus problemas. Certo é que na AMP fomos sujeitos a oito impugnações judiciais, ganhamos todas", diz o presidente da associação de municípios que garante que "os direitos dos trabalhadores estão assegurados".

Esta rede vai entrar em funcionamento no final do primeiro semestre de 2023. Os contratos hoje assinados e que esperam a partir de agora o visto do TC são relativos ao lote 2 - Norte Nascente (Santo Tirso/Valongo/Paredes/Gondomar), lote 3 - Norte Poente (Póvoa de Varzim/Vila do Conde), lote 4 - Sul Poente (Vila Nova de Gaia e Espinho) e lote 5 - Sul Nascente (Santa Maria da Feira/São João da Madeira/Arouca/Oliveira de Azeméis/Vale de Cambra). O Norte Nascente foi atribuído à Nex Continental Holdings, o Norte Poente ao agrupamento Auto Viação do Minho/Transdev/Litoral Norte, o Sul Nascente à Xerpa Mobility e o Sul Poente à Auto Viação Feirense. O lote 1 - Norte Centro (Matosinhos, Maia e Trofa) foi atribuído ao agrupamento Resende e Barraqueiro mas está impugnado pela rodoviária Sequeira, Lucas e Venturas (Seluve). Quanto ao Porto, a cidade continuará a ter como operador rodoviário exclusivo a STCP.

"Os passageiros estão a ser utilizados há anos, de uma forma perversa, por operadores que não têm capacidade para operar e a quem agora só desejo boa sorte. Este concurso não é eterno, é por sete anos. Nenhum presidente de câmara fica feliz de ver uma empresa que operou durante décadas a deixar de operar, ainda por cima empresas de base local", refere Eduardo Vítor Rodrigues para quem as empresas afastadas "têm agora sete anos para se preparem e estarem em melhores condições para voltarem e não assistirmos de novo a este processo de progressiva degradação do serviço que nos envergonha a todos".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG