Memória

Museu do Holocausto do Porto abre na segunda-feira

Museu do Holocausto do Porto abre na segunda-feira

O Museu do Holocausto do Porto, na Rua do Campo Alegre, abre nesta segunda-feira e nos próximos meses espera milhares de visitantes e de alunos de escolas. Por razões de segurança e para uma diminuição do risco, funcionará apenas nos dias úteis, entre as 14.30 e as 17.30 horas.

Parceiro do projeto governamental "Nunca Esquecer" em torno da memória do Holocausto, o novo Museu permite aos visitantes uma viagem ao antes, durante e depois do Holocausto. São exibidos inúmeros objetos que os refugiados deixaram no Porto durante a Segunda Guerra Mundial, bem como centenas de fichas individuais que estiveram na posse do Museu do Holocausto de Washington.

O Museu é tutelado por membros da Comunidade Judaica do Porto cujos pais, avós e familiares foram vítimas do Holocausto. Luísa Finkelstein lembra os familiares que "foram vítimas de pelotões de fuzilamento depois de terem sido obrigados a abrir uma vala comum",

Deborah Walfrid conta que os avós "foram executados na Polónia, depois de raspagem do cabelo, tatuagens de números nos braços e trabalho escravo" e Eta Rabinowicz Pressman relata como morreram duas gerações de familiares seus presos no leste da Europa: "O porteiro do prédio queria salvar os filhos, mas eles preferiram ir com os pais e morreram também. O único sobrevivente estava preso pelos soviéticos num gulag na Sibéria."

Não se ficam por aqui os testemunhos impressionantes. Josef Lassmann, um dos membros da comunidade judaica do Porto que receberão os visitantes do Museu, conta que "a mãe, hoje com 96 anos, foi vítima dos experimentos de Josef Mengele em Auschwitz e nunca pensou que pudesse ter filhos depois de tudo o que viveu e dos familiares que perdeu".

Num vídeo impressionante de apresentação do Museu, que conta já cerca de 20 mil visualizações, são mostrados outros testemunhos de membros da comunidade judaica do Porto, sobre familiares que conseguiram fugir de Treblinka, ou que foram obrigados a tocar violino no campo de propaganda de Theresienstadt, e até sobre patriotas alemães que foram assassinados como estrangeiros indesejados.

Uma estratégia de combate ao antissemitismo que inclui o Museu Judaico do Porto

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O novo Museu do Holocausto vai integrar-se numa estratégia da Comunidade Judaica do Porto que já conta com o Museu Judaico do Porto, também recentemente apresentado em vídeo.

O Diretor Nacional da Anti Defamation League, Jonathan Greenblatt, sublinha a necessidade dos dois museus no combate ao antissemitismo: "O Museu do Holocausto transmitirá a todos uma lição importante: 'não fique em silêncio diante do mal!' e o Museu Judaico tenderá a reduzir as teorias da conspiração e os estereótipos malignos contra os judeus."

A Comunidade ministrará cursos para professores, que iniciou experimentalmente em 2019, com vista ao combate ao antissemitismo. O próximo curso está agendado para 20 de setembro e conta com a presença de duas sobreviventes do Holocausto e de representantes de museus do Holocausto de Washington, Moscovo e Hong Kong.

Charles Kaufman, presidente da organização de direitos humanos B'nai B'rith International, afirma que "as comunidades judaicas portuguesas sabem que ao crescimento da comunidade judaica corresponde sempre um crescimento do antissemitismo". "Os museus judaicos e do Holocausto são fundamentais numa Europa onde cada vez mais pessoas odeiam os judeus, o judaísmo e Israel. Em 2019, eu próprio inaugurei o Museu Judaico no Porto e reuni em Lisboa com Catarina Vaz Pinto para que o Museu Judaico desta cidade não seja esquecido", acrescenta.

A Comunidade Judaica do Porto conta com cerca de cinco centenas de membros de mais de 30 países e possui o Museu do Holocausto e o Museu Judaico, um cinema e parcerias de cooperação com a B´nai B´rith International, a Anti Difamation League, a Keren Hayesod, a Chabad Lubavitch, bem como com a Diocese do Porto e a Centro Cultural Islâmico do Porto.

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