Porto

Museu do Holocausto mostra vítima do "Anjo da Morte" de Auschwitz

Museu do Holocausto mostra vítima do "Anjo da Morte" de Auschwitz

Chama-se Chaya Lassmann. Tem 96 anos de idade. Vive no Brasil e é mãe de um dos membros da Comunidade Judaica do Porto - Yosef Lassmann - que tutela o Museu do Holocausto da cidade.

O seu depoimento, em português, num vídeo exibido na penúltima sala do Museu não deixa nenhum visitante indiferente. Muitos saem a chorar. Chaya conta como em adolescente foi submetida, ela e a mãe, a experiências médicas terríveis por parte do assassino nazi Josef Mengele, que ficou conhecido entre os sobreviventes como "o Anjo da Morte".

No vídeo em exibição, Chaya diz não saber como pôde ter tido filhos depois das repetidas experiências intrusivas a que foi submetida. Louva a proteção que a mãe lhe dedicou na barraca de tormentos em que se encontrava e conta o horror de ter perdido para sempre o pai e a irmã mais nova no Holocausto.

O filho de Chaya, Yosef, conta que, depois da guerra, a mãe e o pai foram para o Brasil onde recomeçaram as suas vidas. "Sem recursos e sem saberem uma palavra de português, o meu pai começou a vender roupas de porta em porta e a minha mãe aprendeu a cortar saias de raparigas. Um pequeno negócio de costura garantiu o sustento da família e a educação dos três filhos."

Antigo engenheiro da Petrobás, no Brasil, Lassmann faz parte do departamento cultural da Comunidade Judaica do Porto e nos últimos dias tem acolhido no Museu muitos visitantes, aos quais descreve que "Mengele foi um carrasco". Sobre o seu pai, diz que ele nunca disse uma palavra sobre o que passou durante o Holocausto. "Preferiu seguir em frente, sem olhar para trás. Ele tinha então 19 anos e todos os familiares mortos."

Outros testemunhos de membros da Comunidade Judaica do Porto

Na mesma sala em que Chaya presta o seu testemunho, outros membros da Comunidade contam as suas experiências traumáticas.

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Michael Rothwell diz que os "avós eram bons patriotas alemães - os meus tios-avós deram mesmo a vida pela Pátria na Primeira Guerra Mundial - e amavam um país que também era deles. Com o nazismo, viram-se acusados de estrangeiros indesejados, foram transportados como gado para Auschwitz, separados um do outro, alvos de todas as violências e ali morreram assassinados".

Débora Walfrid conta que o "Holocausto deve ser contado pelas vítimas. A minha mãe chegou órfã à Argentina e o meu pai foi obrigado a tocar violino no campo de propaganda de Theresienstadt. Nasci sem avós. Todos foram executados na Polónia, depois de raspagem do cabelo, tatuagens de números nos braços e trabalho escravo".

Jonathan Lackman diz que o "avô fugiu de Treblinka" e a avó "foi resgatada com tifo do campo de Bergen-Belsen, no norte da Alemanha, onde faleceu Anne Frank."

Luísa Filkelstein Cymerman diz que a história da família "terminou, para uns, nos campos de extermínio, e outros foram vítimas de pelotões de fuzilamento depois de terem sido obrigados a abrir uma vala comum".

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