Porto

No Hospital dos Pequeninos tudo é curado, até o medo dos médicos

No Hospital dos Pequeninos tudo é curado, até o medo dos médicos

As pequenas portas do Hospital dos Pequeninos fecham amanhã e não faltam gargalhadas e animação. Um hospital improvisado em que as tradicionais batas brancas são substituídas por umas mais coloridas e os doentes são peluches e brinquedos. Ali tudo pode ser curado, até os medos.

O helicóptero de papel pendurado no teto do salão de estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) desperta a curiosidade dos mais pequenos que recriam uma ida ao médico durante uma hora. Apesar de ser a brincar, o objetivo da iniciativa é sério. "Queremos desmistificar o papel do médico e fazer com que percam o medo", refere Miguel Lopes, coordenador do departamento de voluntariado, saúde pública e ação comunitária da Associação de Estudantes da FMUP. Com o projeto crescer ano após ano, "já há pais que testam o progresso dos filhos", conta Henrique Cardoso, voluntário e estudante do 5.º ano de Medicina.

No pequeno hospital tudo é pensado ao pormenor e os passos são rigorosos como um verdadeiro hospital. Os pacientes realizam um diagnóstico na triagem e são reencaminhados para uma especialidade. Têm ao dispor "especialistas" em dor de garganta, dor de barriga, falta de ar, febre, olhos e ouvidos, bloco operatório, farmácia e inclusive um dentista. Entre máscaras, luvas, estetoscópios e cirúrgicos, os mais novos vivem um verdadeiro ambiente hospitalar.

Oriundo do Jardim de Infância da Codiceira, Alfena, em Ermesinde, Duarte S. tem cinco anos e faz-se acompanhar por um dinossauro, com o mesmo nome, que sofre de dores de barriga "por comer muitos chocolates", explica a voluntária a Duarte. O dinossauro ficou curado com uma vacina. O mesmo não aconteceu com "Noddy", boneco do colega Inês G., que viria a persistir na dor dos olhos e ouvidos. Já Carlos F. preferiu levar o seu companheiro "Panda" de dois anos, garantindo que "o Panda não tem medo de picas" e pode fazer todos os tratamentos.

900 pacientes no hospital

A iniciativa tem aproximadamente 200 voluntários divididos pelas diferentes áreas da saúde, entre eles alunos da Faculdade de Medicina, Faculdade de Nutrição, Faculdade de Farmácia e Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto. Bárbara Martins, 20 anos, estudante do 3.º ano da FMUP, participa pelo terceiro ano consecutivo. "A primeira vez que participei foi por curiosidade, agora é porque gosto. Achava que não era capaz de falar com crianças e agora percebi que gosto muito", conta a estudante.

Com mais de 10 anos de história, o projeto é aberto a crianças entre os três e os seis anos do concelho do Porto e pretende transmitir hábitos para uma alimentação saudável, a importância da vacinação e da higiene oral. Prevê-se que durante a semana tenham passado cerca de 900 crianças pelo Hospital dos Pequeninos. E como ir ao médico não dói, no final da consulta os mais novos divertem-se com duas mascotes ao som da música.

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