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Nova gestão da Metro do Porto encalhada por um nome

Nova gestão da Metro do Porto encalhada por um nome

A nova gestão da Metro está presa por um nome, vetado pela Comissão de Recrutamento para a Administração Pública. Gaia culpa Rio, que denuncia pressões no Governo para prejudicar o ministro da Economia.

A telenovela em torno da Metro do Porto ainda vai ter novos episódios. O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, não conseguiu desatar um nó que deixou para o último dia. A escolha dos novos gestores está emaranhada num braço de ferro entre Rui Rio e Luís Filipe Menezes.

Se ontem de manhã parecia estar tudo encaminhado para que, à tarde, a assembleia-geral aprovasse a nova Administração da empresa, ao final do dia verificou-se uma reviravolta. Ao contrário do previsto, não compareceu qualquer representante do Estado na reunião e os nomes, acordados entre a Junta Metropolitana do Porto (JMP) e o Ministério da Economia, nem sequer foram apreciados, adiando-se a votação por 15 dia. Em causa, a opção de Rui Rio pelo economista António José Lopes para administrador executivo da Metro. E um braço de ferro com Luís Filipe Menezes.

Segundo apurámos, na terça-feira, o autarca de Gaia esteve em Lisboa com o ex-governante do PSD Amorim Pereira e o ex-presidente da Câmara do Porto Nuno Cardoso, que terá sido convidado pelo ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, para presidir à Metro.

A opção, contudo, não agradou a Rui Rio, que preferiria o autarca de S. João da Madeira, Castro Almeida. Só na manhã de ontem o ministro tentou resolver o problema e informou o presidente da JMP que convidara um técnico para presidir à Metro: João Velez Carvalho. Em troca, a JMP pôde sugerir um administrador executivo. Rio propôs António José Lopes.

Por causa das negociações, Rio chegou tarde a uma reunião da JMP, em que apenas Gaia votou contra os nomes propostos, por ter sido excluída da Administração e por discordar da opção por António José Lopes. "É surreal este assunto ter sido discutido entre as 9 e as 10 horas. Há um administrador executivo que deve ter sido encontrado às portas da Câmara com um currículo debaixo do braço", atacou o vice da Câmara de Gaia, Firmino Pereira. Rio justificou a rapidez com que encontrou uma opção: "Tenho a obrigação de ter nomes na carteira para casos do género".

Com a aprovação da JMP, tudo parecia encaminhado para que o problema da Metro, cuja Administração cessou funções em dezembro de 2010, ficasse resolvido. Só que, à tarde, não apareceu qualquer representante do Estado. Rui Rio e o presidente da Assembleia-Geral, Valentim Loureiro, fecharam--se numa sala em contactos com o ministro da Economia.

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Recusou dar alternativa

Rio garantiu que Álvaro Santos Pereira não lhe deu uma justificação. Segundo apurámos, o problema residirá em António José Lopes, cujo currículo suscitou dúvidas à Comissão de Recrutamento e Seleção da Administração Pública. Em causa o facto do currículo do economista apenas constarem as experiências de diretor de compras da Vista Alegre, entre 1998 e a falência da empresa em 2009, e, desde então, a criação da sua própria empresa (Tablestock) cuja atividade o próprio declarou como uma tentaiva de "implementar o aluguer operacional de equipamentos hoteleiros em Portugal e Espanha".

Rio terá sido convidado a avançar com uma alternativa mas recusou. "(Os nomes) não têm problema algum. É dos estatutos, é a Junta que indica e pronto", reagiu Rui Rio, à saída da reunião da Metro, insinuando pressões dentro do Governo sobre Álvaro Santos Pereira.

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