Saúde

Novos aparelhos ajudam Hospital de S. João a tratar cancro

Novos aparelhos ajudam Hospital de S. João a tratar cancro

Câmara PET/CD, angiógrafo digital e acelerador linear vão permitir à unidade hospitalar, no Porto, localizar tumores e escolher tratamentos mais adequados.

Saber, no momento do diagnóstico, o local exato do tumor responsável pelo cancro, poder tratá-lo diretamente e recorrer à radioterapia com uma maior garantia de que "estruturas vitais" escapam às radiações são, agora, respostas que o Hospital de S. João, no Porto, é capaz de dar com a aquisição de três novos equipamentos. Uma câmara PET/CD, um angiógrafo digital integrado com TAC e um acelerador linear vão oferecer uma "resposta mais otimizada, mais rápida e com muito mais qualidade", nota Miguel Barbosa, diretor do serviço de Oncologia do Hospital de S. João.

Tempos de espera

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Na fase de diagnóstico, a câmara PET/CD identifica, através da injeção de açúcar, onde estão as células tumorais, explica o médico.

"As células do cancro crescem mais rápido. Portanto consomem mais energia, que é, fundamentalmente, açúcar. O que a PET faz é injetar no doente um açúcar e "ler" a distribuição desse açúcar pelo corpo: indica-nos onde estão as células tumorais porque são essas que vão consumir mais açúcar", esclareceu Miguel Barbosa.

O equipamento, refere o médico, "tem assumido uma maior relevância no diagnóstico do cancro" e os doentes oncológicos do Hospital de S. João só tinham acesso a este aparelho fora da instituição.

"Com o aumento do número de doentes e da importância deste método de diagnóstico, havia um tempo de espera considerável para a realização deste exame", revela o médico. Agora, esse cenário desaparece.

A segunda máquina, um angiógrafo digital integrado com TAC, já instalado no serviço de Oncologia, "é um aparelho que permite, em tempo real, adquirir imagens do doente em TAC e intervir", esclarece Miguel Barbosa, notando que, em alguns casos, o equipamento poderá ajudar doentes não elegíveis para cirurgias ou, por outro lado, evitar a realização das mesmas.

"É uma intervenção direta no doente e é um tratamento dirigido ao tumor. Permite-nos, por exemplo, embolizar o tumor, impedir o acesso dele à irrigação sanguínea e a nutrientes. Utilizamos esta técnica com tumores do fígado", explica Miguel Barbosa.

Estes procedimentos podem, por exemplo, realizar-se com recurso a "uma pequena agulha que queima o tumor". "É um aparelho que nos dá liberdade de intervenção junto do tumor e uma capacidade técnica e de precisão de imagem muito elevada. Vamos fazer coisas que até agora não conseguíamos fazer", observa.

O Hospital de S. João tem dois angiógrafos, mas um deles "era muito antigo" e será substituído pelo novo aparelho.

Radioterapia precisa

Já o acelerador linear é utilizado para tratar tumores com recurso a radioterapia e é particularmente importante no que toca ao tratamento de "tumores mais perto de estruturas vitais" e que os médicos querem "evitar irradiar".

"A radioterapia era muito tóxica porque emitia-se uma radiação a uma área alargada", explica Miguel Barbosa. O novo aparelho, que também substituirá um mais antigo, permitirá aos médicos "desenhar melhor os campos de intervenção e ter mais sucesso a tratar os doentes", emitindo radiação "mais intensa onde o tumor é muito expressivo".

O acelerador linear e a câmara PET/CD ainda não estão instalados, decorrendo, para já, obras para receber as duas máquinas. O investimento total foi de 7,6 milhões de euros, cofinanciado por fundos europeus.

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