Porto

O fogo da noite de S. João vai ser assim...

O fogo da noite de S. João vai ser assim...

Não há S. João sem martelos, sem alho porro, sem sardinhas e sem fogo de artifício. Este ano, o espectáculo será piromusical com 16 minutos "vibrantes" disparados do Douro entre a ponte de Luís I e o Cais de Gaia. Veja em imagens virtuais como será o fogo deste ano.

Milhares de pessoas cumprem, ano após ano, caminhadas até às Ribeiras e aos pontos cimeiros nas encostas de Gaia e do Porto para garantir a melhor vista para a explosão de cor sobre o Douro. O orçamento para este ano é de 50 mil euros, que serão pagos pelas câmaras do Porto e de Gaia.

Os foguetes criarão efeitos visuais que dançarão no céu negro em sintonia com as músicas, que combinarão os acordes clássicos com temas mais comerciais, num espetáculo assinado pela Macedo"s Pirotecnia. A abertura do espetáculo, designado "plenus" pela promessa de uma "noite plena de cor, abundante em luz e forte em vibrações", será marcada pela Toccata, interpretada por David Garrett. Os acordes da Overture da ópera Carmen, de Bizet, e do Unstoppable, de Posthumus, emprestarão emoção ao encerramento do fogo.

"A nossa ideia é criar momentos apoteóticos com muita luz e cor e algum ruído próprio das explosões. Haverá sintonia completa entre a música e os efeitos visuais. Começaremos com o prateado, mas haverá momentos em que as cores se misturarão, sobressaindo as cores do arco-íris", desvenda Fernando Macedo, um dos proprietários da empresa da Lixa, que além do Porto, fará o fogo de artifício do S. João em Vila do Conde e em Braga.

O povo nas Ribeiras poderá contar com a tradicional cascata a tombar da ponte de Luís I para o rio. Do tabuleiro inferior, sairão também efeitos de fogo preso. O espetáculo encerrará em tons de dourado para "celebrar os anos de ouro da cidade", atenta Fernando Macedo.

Os irmãos Macedo já desenharam dezenas de fogos de artifício para a noite sanjoanina. O regresso em 2015 é emotivo, confessa, depois de um ano de ausência. "O Porto é a minha cidade, é a minha capital de distrito e é onde está o meu clube do coração", sublinha Fernando. Nos tempos de juventude, vivia o S. João nas ruas, aventurando-se a palmilhar a cidade durante a madrugada e a desaguar na praia já com o sol a despertar. A vida de adulto trá-lo à noite mais longa do Porto. Vem à festa a trabalho "com muita satisfação".

A operação é complexa. O fogo é disparado de plataformas flutuantes no Douro, colocadas numa extensão de 600 metros. Como há público em ambas as margens, o fogo de artifício tem de ter duas frentes. "O S. João do Porto vive da massa humana. É a festa de rua, do povo. O fogo de artifício marca o início da noite de S. João, é o ponto de partida para a grande noite que só termina ao amanhecer".

PUB

Fernando Macedo, um dos quatro irmãos que tomou as rédeas do negócio familiar fundado em 1934 pelo avó Joaquim, recorda os tempos em que o fogo de artifício sanjoanino era lançado da margem de Gaia. Então, o terreno da APDL ainda não tinha sido convertido no espaço de restauração do Cais de Gaia. Quando chegaram os restaurantes, a pirotecnia mudou-se para a ponte de Luís I, até ser atirada para o rio Douro com a entrada em circulação do metro.

Nós fomos os primeiros e os últimos a lançar o fogo de artifício na ponte de Luís I. Agora, com a logística do espetáculo, não é possível fazê-lo da travessia. Passou para o rio".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG