São Bento

Obras do Mercado Time Out no Porto arrancam em outubro

Obras do Mercado Time Out no Porto arrancam em outubro

As obras do Mercado Time Out para a ala sul da estação de São Bento, no Porto, devem arrancar no início de outubro, estando neste momento a decorrer os trabalhos preparatórios para libertar o espaço.

"Já se iniciaram os trabalhos preparatórios que vão permitir libertar o espaço que vai ser objeto desta subconcessão, estimando-se, por isso, nesta data, que as obras deverão ter início no início de outubro próximo", indicou a Infraestruturas de Portugal (IP), detentora da Estação de São Bento.

Em abril de 2020, o presidente da Time Out Market, João Cepeda, disse "confiar" que a obra do mercado em São Bento, que incluí uma torre de 21 metros considerada "intrusiva" pela UNESCO, pudesse avançar no último trimestre do ano.

À data, João Cepeda explicou que depois da aprovação do projeto de arquitetura, seguia-se a apresentação dos projetos de especialidade, o que previa que pudesse acontecer nos dois meses seguintes.

Em março de 2020, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) emitiu um novo despacho favorável ao projeto do Mercado Time Out para a ala sul da Estação de São Bento, condicionado a acompanhamento arqueológico.

À data, a entidade gestora do património explicou que o aditamento analisado "é idêntico à proposta anteriormente analisada e aprovada, exceto no que diz respeito a ligeiras alterações interiores e à supressão de três quiosques anteriormente propostos para o atual parque de estacionamento", dando resposta ao parecer de janeiro de 2018, pelo que mereceu parecer positivo.

Na mesma altura, a Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) e a IP revelaram ter emitido pareceres favoráveis ao projeto da Time Out, cujo Pedido de Informação Prévia (PIP) foi balizado pelo município a 09 de outubro de 2019.

PUB

Em maio de 2019, a DGPC tinha já dado parecer positivo ao projeto do Mercado Time Out, apesar das críticas da UNESCO quanto ao "tamanho intrusivo" da torre de 21 metros projetada para o local.

Num primeiro parecer, datado de 02 de abril de 2018, e a que a Lusa teve acesso, o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios - ICOMOS (organismo consultivo da UNESCO para o património), defendia que o projeto para a ala sul da estação era um "exemplo de demolição excessiva" e "fachadismo" e que "não devia ser aprovado".

Indicava ainda que o projeto não tinha "em conta as recomendações internacionais em matéria de intervenção sobre património construído".

Numa segunda avaliação em março de 2019, o ICOMOS referia que a torre de 21 metros projetada pelo arquiteto Eduardo Souto Moura para o local, "parece bastante grande, em comparação com o espaço comprimido disponível, numa parte da cidade já densamente construída", recomendando uma "redução no tamanho da plataforma panorâmica".

Para além da torre da autoria de Souto Moura, o projeto do Mercado Time Out Porto, para a ala sul da estação de São Bento, incluiu ainda espaços de restauração e bares.

Num relatório conhecido em janeiro desde ano, o Mercado Time Out surge como uma das 14 obras ou projetos em andamento ou realizados que põe em risco o valor patrimonial do Centro Histórico do Porto classificado como património mundial desde 1996, incluído no mais recente Relatório Mundial sobre Monumentos e Sítios em Perigo.

A Direção-geral do Património Cultural afirmou na ocasião não se rever na "posição crítica" do ICOMOS reiterando a sua aprovação ao projeto da Time Out para São Bento.

Já a autarquia disse discordar das conclusões do relatório, afirmando que estas resultam da sua "profunda ignorância sobre o património".

Hoje, questionada sobre as medidas que foram tomadas para garantir que o Mercado Time Out preserva o património da estação, a IP referiu apenas que o projeto "foi devidamente aprovado pelas entidades com jurisdição nesta matéria, acautelando, por isso, a preservação do património da estação".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG