Atletismo

Oito mil encheram as ruas no regresso da Maratona do Porto

Oito mil encheram as ruas no regresso da Maratona do Porto

Era um regresso há muito aguardado por atletas e famílias. Após um ano de interrupção devido à pandemia, a Maratona do Porto voltou, na manhã deste domingo, a encher as ruas com cerca de oito mil participantes, oriundos dos cinco continentes. O regresso da prova rainha do atletismo marcou ainda o retomar do convívio entre os participantes.

O tiro de partida foi dado às 9 horas, junto ao Sea Life. No entanto, horas antes, a Circunvalação já se enchia de participantes. Enquanto uns corriam, outros faziam alongamentos. Havia ainda quem aproveitasse para caminhar e pôr a conversa em dia.

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Hernâni Soares e Marta Fernandez chegaram uma hora mais cedo. Ele tem 61 anos, ela tem 45. Pertencem ao mesmo grupo de atletismo e vão correr lado a lado, naquela que foi a estreia de Marta Dias numa maratona. O objetivo estava traçado desde o início: percorrer cada quilómetro em apenas seis minutos para chegar à meta em pouco mais de quatro horas. "Vamos correr juntos até meio da prova para ela atingir o andamento certo", contou Hernâni Soares, que participa em corridas há já várias décadas.

"É uma paixão. Pelo convívio e porque é um estilo de vida saudável", referiu ao JN, enquanto aguardava pelo início da prova.

Nos primeiros 200 metros da corrida, devido à maior concentração de atletas, o uso de máscara foi obrigatório. O equipamento de proteção individual podia ser retirado ao longo do percurso, mas apenas quando estivesse assegurada a distância de segurança. ​A par da corrida de mais de 42 quilómetros, a 17.ª edição da EDP Maratona do Porto contou com mais duas provas: a Family Race, Corrida dos Ossos Saudáveis, com um trajeto de 10 quilómetros, e a Fun Race, uma caminhada de seis quilómetros destinada a famílias. O trajeto dos 10 quilómetros tinha um caráter solidário. Por cada participante inscrito nesta corrida, a organização doou um euro à Associação Portuguesa de Osteoporose.

No total, os três desafios juntaram oito mil participantes de 57 nacionalidades. Cerca de 3500 correspondiam a atletas inscritos para fazer a maratona. Trata-se de uma quebra face aos números pré-pandemia, principalmente no que toca a participantes estrangeiros.

"Se não houvesse pandemia e, se neste momento não houvesse uma concentração tão grande de maratonas, tínhamos hoje sete ou oito mil estrangeiros. Há menos pessoas a viajar porque há corridas à porta de casa", justificou Jorge Teixeira, diretor da prova, sem dúvidas de que os participantes tinham saudades de voltar à estrada.

"Veja as caras de felicidade. Está gente estava à espera disto", afirmou ao JN.

José Matos, que completou 10 quilómetros em 58 minutos, confirma: "O regresso à estrada dá outra adrenalina. É diferente", afirmou o homem, de 58 anos, que conta com dois anos de experiência em corridas.

"Inscrevi-me no ginásio para emagrecer e, no ano passado, fiz uma corrida virtual. Pegou o bichinho", recordou José Matos, que estabeleceu como objetivo correr a meia maratona no próximo ano.

Na mesma prova, participou Ethan Labarrte. Portador de uma doença rara, o jovem de 14 anos fez a corrida ao lado dos pais. A família viajou desde França e, durante a competição, usou uma camisola com o nome da página do Facebook criada para relatar as aventuras de Ethan: "ça bouge avec Ethan".

Longe das corridas, num passo mais lento, ia a família Otero. Mãe, pai e filhos viajaram desde Espanha para participar na caminhada e desfrutar de um fim de semana prolongado no Norte de Portugal. "Queríamos que as crianças conhecessem a cidade, sem ser apenas em atividades turísticas", contou David Otero, destacando a importância de envolver os mais novos em atividades ao ar livre.

"O relacionamento social e a partilha são importantes. Além disso, esta prova é uma boa forma de lhes mostrar que o importante não é ganhar ou perder, mas participar". Concluída a prova, a família tinha planos para compensar o esforço: "Vamos comer uma boa francesinha", disse David Otero.

Poucos metros à frente, caminhava Doris Bastos na companhia do filho. Gustavo, de dois anos, percorreu os seis quilómetros de triciclo. "Ele já está habituado a andar e é muito observador. Gosta mais de estar no exterior do que em casa", disse Doris Bastos, admitindo que, após meses de confinamento e pandemia, sentia saudades de eventos ao ar livre.

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