Críticas

PS, CDU, BE e PAN contra acordo entre Moreira e PSD na Câmara do Porto

PS, CDU, BE e PAN contra acordo entre Moreira e PSD na Câmara do Porto

PS, CDU, BE e PAN criticaram, esta quinta-feira, o acordo entre Rui Moreira e o PSD para a governação da Câmara do Porto.

O PS, que perdeu um vereador face ao resultado obtido nas eleições autárquicas de 2017 (de quatro, passou para três), considera que o entendimento entre Rui Moreira e o PSD "defrauda os eleitores que confiaram o seu voto a uma visão alternativa para a cidade" e "põe a nu que as divergências na campanha eleitoral não passaram de uma simulação pouco edificante".

"O PSD desistiu do Porto, mas o PS nunca o fará", conclui o partido, em comunicado.

Por sua vez, a CDU, que manteve um lugar na vereação da Câmara do Porto, observa "a completa incoerência do PSD que, ainda há semanas, 'jurava' a sua oposição a Rui Moreira". A CDU acrescenta que o acordo "mostra como Rui Moreira não hesita, mais uma vez, em fazer cair, desamparados, os seus apoiantes": "A forma como agora 'descarta' o presidente da Assembleia Municipal, Miguel Pereira Leite, mostra que, afinal, o 'independente' Rui Moreira não olha a meios para atingir os seus fins".

Já Sérgio Aires, vereador eleito pelo Bloco de Esquerda considera que "a direita fez uma guerra de alecrim e manjerona durante a campanha para agora se juntarem pelo modelo de cidade negócio que afinal - como sempre dissemos - partilham". O vereador repara ainda que "não há agora uma explicação do PSD sobre o que fará se Rui Moreira for condenado no caso Selminho".

Uma das premissas resultantes deste acordo é que o movimento independente de Rui Moreira apoiará Sebastião Feyo de Azevedo, ex-reitor da Universidade do Porto e candidato do PSD à Assembleia Municipal.

PUB

Para Sérgio Aires, a redução da fatura da água (uma das medidas que estará no centro deste entendimento), trata-se de "uma questão de xadrez político" por parte de Rui Moreira, que "recusou durante os últimos quatro anos implementar a recomendação que o Bloco fez aprovar em Assembleia Municipal".

A cabeça de lista do PAN à Câmara do Porto, Bebiana Cunha, disse à Lusa que o acordo entre Rui Moreira e o PSD "surpreendeu" os portuenses e descredibiliza o candidato social-democrata Vladimiro Feliz. "A verdade é que o movimento de Rui Moreira não teve, porque os portuenses não quiseram, o resultado que pretendia e agora o PSD, ao contrário de tudo o que disse na campanha, de que iria ser oposição, de que não iria fazer coligações pós-eleitorais, afinal decidiu dar a mão a Rui Moreira", disse. O PAN não conseguiu eleger vereadores, mas manteve o seu lugar na Assembleia Municipal.

"No nosso entender, isto descredibiliza Vladimiro Feliz e também acaba por trazer a debate público o facto de já termos partido para as eleições com um movimento que se diz independente, mas que em boa verdade, é constituído por pessoas que fazem parte do CDS e do Iniciativa Liberal", acrescentou a líder parlamentar do PAN.

A opinião é partilhada pela CDU, que considera que este "é um sério aviso ao CDS, nitidamente despromovido relativamente ao agora parceiro PSD".

Também o Chega, que conseguiu um lugar na Assembleia Municipal, considera que o entendimento "vai acabar por ser uma opção menos democrática". Rui Pedro Afonso, cabeça de lista do Chega à Assembleia Municipal do Porto, disse à Lusa que a estratégia "não tem propriamente a ver com governabilidade da cidade", mas sim com o "condicionamento dos outros partidos".

PSD negociou reversão da obra da Avenida do Brasil

Em comunicado, o PSD explica que irá garantir a aprovação do Plano e Orçamento da Câmara Municipal do Porto para 2022 "através da incorporação, nesse documento estratégico" de medidas contidas no seu programa eleitoral, tais como a redução do IRS na componente municipal (entre 0,5% e 0,625%), um plano de expansão da rede de creches da cidade, a reversão da obra da Avenida do Brasil, na Foz do Douro, um reforço de verba e transferência de competências para as Juntas de Freguesia.

O líder da concelhia do PSD do Porto defendeu, esta quinta-feira, que "não podia haver uma situação de ingovernabilidade" na cidade e que o PSD "não deixa de fazer oposição".

"Não podia haver uma situação de ingovernabilidade na cidade porque os principais prejudicados por essa decisão seriam os portuenses e o Porto. Portanto, não querendo nós lugar na vereação, nem nas empresas municipais, deveríamos contribuir para a solução de governabilidade fazendo aprovar as medidas que são estruturais para a cidade", afirmou, em declarações à Lusa, Miguel Seabra.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG