Pandemia

Paróquias do Porto à beira de esgotar capacidade solidária

Paróquias do Porto à beira de esgotar capacidade solidária

Alerta vem de 16 paróquias que já contribuíram com mais de 600 mil euros "para travar a fome" que "não para de aumentar desde março".

"Estão a esgotar-se as capacidades das paróquias [do Porto] para acudirem a tantas situações de emergência". O alerta foi dado este sábado através de um comunicado que abarca 16 das 26 paróquias da cidade, que sublinham que "este tempo de pandemia levou a fome a muitas casas e às ruas".

"Através dos seus serviços e sobretudo da atuação das Conferências Vicentinas, de grupos paroquiais de caridade e de outros voluntários, as paróquias vão respondendo a estas situações e percebendo que não poderão ir muito mais além", diz o texto de aviso. E a situação pode ainda piorar, alertam as paróquias, porque "o número dos que procuram comida continua a aumentar".

O comunicado, distribuído pelo padre Rubens Marques, da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, é assinado pelos presbíteros Fernando Milheiro, Mário Henrique, Manuel Martins e Domingos Oliveira. Os prelados vincam uma necessidade imediata: "Ver colocada na agenda pública a realidade da fome que está a chegar a muitos pelo desemprego, doença e outras causas".

Doações ultrapassam 664 mil euros

Segundo um inquérito a que responderam 16 das 26 paróquias do Porto, entre março e dezembro deste ano aquelas instituições já doaram "mais de 664.907 euros para travar a fome".

Os valores são discriminados em várias formas de apoio, com a fatia maior a recair na alimentação.

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"Em cabazes e alimentos (respostas sociais não institucionais), os organismos, grupos e movimentos paroquiais gastaram 81.330 mil euros, que beneficiaram 942 famílias, o que representa 2.558 pessoas. O apoio em medicamentos, farmácia, rendas de casa, faturas de eletricidade e água e alojamento foi de mais de 63.532 euros. E as refeições oferecidas na paróquia ou fora representam 506.543 euros", revela o comunicado.

É preciso fazer mais

Mas as paróquias do Porto sentem que é necessário fazer ainda mais por quem ficou mais desprotegido com a crise espoletada pela pandemia do novo coronavírus.

"É necessário ainda que a sociedade civil colabore no apoio aos que, de repente, se tornaram pobres ou caíram em situação de desespero. Neste campo de ação temos um grande trabalho realizado pela Câmara Municipal [do Porto] e associações voluntárias que servem alimentação na rua e cujo montante investido não nos compete avaliar", diz o texto de alerta. Mas, acrescentam os padres subscritores, "parece urgente que se reforcem as respostas e seja definido um programa integrado de apoio, nesta que é a maior crise das últimas décadas".

Os apoios fornecidos pelas paróquias "atingem todo o tipo de pessoas: crianças, pessoas idosas e adultos, pessoas com deficiência, jovens e pessoas em situação de sem-abrigo", conclui o comunicado, que refere ainda "haver muito mais apoios do que os referidos, de que é exemplo a ação dos Centros Sociais Paroquiais e outros grupos organizados, numa verdadeira onda de bem fazer nas zonas de pobreza".

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