Turismo

Porto e Norte reclamam compensações pela estratégia centralista da TAP

Porto e Norte reclamam compensações pela estratégia centralista da TAP

Demora na eletrificação da linha ferroviária vai atrasar os projetos de retoma da via-férrea entre o Pocinho e Barca d'Alva e condicionar os planos turísticos para o Alto Douro Vinhateiro.

O presidente da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal (ERTPNP), Luís Pedro Martins, pede ao Governo "um envelope financeiro" que compense a região pelo denunciado abandono do Aeroporto de Pedras Rubras pela TAP. A estratégia passa também pelo comboio e pela retoma da ligação entre o Pocinho e Barca d'Alva, mas todos os projetos ferroviários para o Alto Douro Vinhateiro estão já condicionados a jusante. "A eletrificação da linha deslizou mais um ano", observa Beraldino Pinto, vice-presidente da CCDR-Norte.

A ocasião tinha o pretexto e a solenidade da celebração do 20.º aniversário do galardão de Património Mundial, atribuído pela Unesco ao Douro Vinhateiro, a 14 de dezembro de 2001, mas, até pela localização do outdoor promocional descerrado esta sexta-feira na Loja Interativa de Turismo, em plena gare do Aeroporto do Porto, logo se abordou o tema de maior recorrência no setor durante os últimos tempos, o da denunciada estratégia centralista da TAP, da qual depende só um décimo da circulação total de passageiros em Pedras Rubras. A Ryanair, a Easy Jet e a Transavia já ultrapassaram a companhia resgatada pelo Estado.

"Portugal necessita de um hub em Lisboa e de uma companhia que permita ligação a mercados como a América do Norte, a América Latina e África. Nada contra isso. Mas já que todos andamos a pagar esse serviço e não estamos a ter o serviço, então convém que seja disponibilizado às regiões um envelope financeiro que lhes permita operar com outras operadoras", afirmou o presidente do ERTPNP.

O IVA turístico

Luís Pedro Martins fala, ainda, de "mercados de grande importância" para o Porto e para o Norte, "para ajudar a combater a sazonalidade e a estada média" e identifica outros "mercados de alto rendimento", com os Estados Unidos, o Brasil e a Ásia-Pacífico, que "são da responsabilidade da TAP".

"Nós podemos encontrar outras companhias, como a Turkish, a Emirates ou a Qatar, nomeadamente para os mercados da Ásia-Pacífico. O que precisamos é de ferramentas para trabalhar com estas operadoras. Precisamos de um envelope financeiro do Estado", acrescentou o dirigente do Turismo do Norte.

PUB

"De onde vem o dinheiro? Vem, por exemplo, do IVA turístico. Já que é o turismo que possibilita essa receita para o Estado, era simpático que voltasse a ser aplicada no turismo, para que próprio turismo a aplique e produza mais receita", conclui Luís Pedro Martins.

A ligação a Barca d'Alva e a Espanha

"O que é preciso é que haja vontade de identificar o problema, o da necessidade de reforçar a conectividade aérea", sublinhou Luís Pedro Martins. Por ar ou por terra, o presidente do Turismo do Porto e do Porto quer é completar estes circuitos turísticos e desde logo também com o pouca-terra e a retoma da circulação ferroviária entre o Pocinho e a Barca d'Alva, até ao Douro Superior e com vista a ligações a Salamanca e aos mercados turísticos de Castela.

Também presente na celebração do galardão de Património Mundial do Douro Vinhateiro, atalhou o vice-presidente da CCRD, Beraldino Pinto: "Com o prolongamento da via-férrea, o potencial turístico da região pode ser aproveitado com muito mais impacto. Não estamos a falar de uma ligação tradicional casa-trabalho, estamos a falar de uma linha que permite a penetração numa região por um meio de transporte ecológico, que permite a chegada de muitos mais visitantes com menor pegada. Tudo se conjuga, portanto, para que as evidências venham ao de cima e sigam pela cabimentação nos fundos nacionais e europeus, para execução da obra".

Beraldino Pinto deixa, contudo, uma advertência: "Se verificarmos que a própria eletrificação da linha atual já deslizou mais um ano, se calhar, para 2022, sobram as obras físicas de 2021. Espero que se concretizem agora, durante este ano".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG