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Povo continua em protesto contra fecho dos Correios

Povo continua em protesto contra fecho dos Correios

O plano dos CTT é nacional, impõe um corte de 15% na despesa e abarca o fecho de dezenas de lojas. Só na região Porto e Centro fecharam ontem 13 agências. Enquanto dezenas de reformados protestam na rua, recurso aos tribunais é agora uma hipótese.

O gabinete jurídico da Câmara de Matosinhos está a estudar uma forma legal de impedir o fecho da loja dos CTT de Monte dos Burgos, que ontem abriu pela última vez. A autarquia de Guilherme Pinto (PS), mandatada por uma moção aprovada por todos os partidos na Assembleia Municipal de anteontem, pretende agir judicialmente. A providência cautelar deverá ser a forma jurídica encontrada para travar o fecho de uma estação que, no caso de Monte dos Burgos, afecta 10 mil utentes.

A extinção da loja inscreve-se numa redução nacional de 15% nas despesas da empresa pública CTT, que no Grande Porto abarca o fecho de nove lojas (ler em baixo). Ontem, também em Coimbra encerraram três estações e em Aveiro uma, estando outra com fecho anunciado para dia 15.

A opção já foi explicada pelos CTT: ou se encerravam lojas ou dezenas de funcionários eram despedidos. Assim, os trabalhadores das agências extintas não perdem os empregos, sendo recolocados noutras estações.

Mas o fecho das lojas - fonte dos CTT, contactada pelo JN, não precisou quantas são no país todo - foi mal recebido pelos utentes das áreas envolvidas, provocando diversas manifestações de indignação, sobretudo dos idosos.

Os mais velhos, que ontem invadiram pacificamente os balcões de Campo Lindo (Porto) e Monte dos Burgos (Matosinhos) com cartazes e palavras de ordem ("A luta continua!" e "Os Correios são do povo!"), explicam o seu medo: "O problema é que os reformados ficam sujeitos a assaltos na hora de levantar as pensões", diz ao JN Ilde Pinto, da comissão de utentes dos CTT de Matosinhos.

Os comerciantes também se queixam: "Sinto-me lesada, lógico. Vou perder, de um dia para o outro, 70% dos meus clientes", confessa Sandra Almeida, que tem há dois anos um café ao lado dos CTT de Monte dos Burgos.

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Enquanto isso, há uma esperança direccionada para a próxima quarta-feira, dia 6: a Assembleia Municipal do Porto vai-se, às 11 horas, com a administração dos CTT para discutir o fecho das nove lojas no Grande Porto. Os utentes vão aproveitar a ocasião para protestarem junto ao edifício da Câmara do Porto, onde decorrerá o encontro.

Em Aveiro a Estação de Vera-Cruz abriu ontem pela última vez. "Sentimo-nos indignados com esta atitude", disse ao JN o presidente da Junta de Freguesia. João Barbosa salientou que foi feita uma proposta à autarquia de 500 euros mensais para ficar com o serviço. "Tínhamos que meter dois funcionários e lidar com grande movimento de dinheiro. Achamos imoral", disse.

Por outro lado está também já anunciado o fecho dos CTT na Loja do Cidadão, em Aveiro, no dia 15. E os Correios estão ainda em negociações com as Juntas de Aradas, Eixo, S. Jacinto e S. Bernardo para assumirem os postos CTT naquelas localidades. Em Coimbra, ontem encerraram também três agências: Santa Clara, Mercado e Universidade.

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