Mobilidade

PS quer convencer portuenses a deixar carro em casa. PSD pergunta como

PS quer convencer portuenses a deixar carro em casa. PSD pergunta como

Para que haja uma redução na utilização do automóvel privado no Porto, o PS propôs, esta segunda-feira à noite, que se façam ações de sensibilização junto da população. A proposta foi aprovada por maioria, em Assembleia Municipal, com os votos a favor do grupo Rui Moreira, do próprio PS, BE e PAN. PSD e Chega votaram contra e a CDU absteve-se. Para o deputado do PSD, Fernando Monteiro, a estratégia passa por aumentar a oferta de transporte público.

Foi o deputado da CDU, José Manuel Varela, o primeiro a pronunciar-se sobre a proposta do PS, observando que o problema de trânsito no Porto está relacionado "com a ineficácia da rede de transportes" da cidade.

"Como é sabido, há poucos autocarros, o metro está congestionado e dificilmente aceita mais passageiros. O trânsito é causado pelos movimentos pendulares. Há cada vez mais pessoas que, não tendo capacidade de residir no Porto, vivem a 20, 30 ou 40 quilómetros de distância, onde não há propriamente transportes públicos, porque estão desenhados para servirem o centro do Porto e não as zonas periféricas da Área Metropolitana, que é onde se concentra a população", verifica o deputado da CDU, anunciando a abstenção do grupo municipal.

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Do PSD, Fernando Monteiro, notou que "dois em cada três portugueses usa o carro para ir para o trabalho e esse número é maior do que há dez anos". "Aquilo que eu perguntaria ao Partido Socialista é o que é que fez, no país, para que este número reduzisse nos últimos dez anos. Acha que, com ações de sensibilização vamos reduzir drasticamente o uso do automóvel?", pergunta ironicamente o deputado, considerando que "a conversão" do automóvel para o transporte público teria melhores resultados com um aumento da oferta. Aliás, Fernando Monteiro verifica que há quem precise do automóvel porque não tem transportes públicos.

Atender à "responsabilidade coletiva"

"Não sei se o senhor deputado terá reparado que está em construção uma nova linha do metro do Porto. E está a linha Rubi e o metrobus na Avenida da Boavista prestes a arrancar", apontou Rui Lage, do PS. "Além das respostas que estão, neste momento, no terreno e outras que estarão a breve trecho, a questão do trânsito automóvel no Porto não pode deixar de ser colocada também ao nível das mentalidades. É evidente que, se todos fizermos um esforço, atendendo à responsabilidade coletiva, de em trajetos curtos e médios, tentarmos quanto possível deixar o carro na garagem, haverá algum alívio no trânsito do Porto", insistiu o deputado do PS, admitindo, ainda assim, que esse efeito possa ser "modesto".

Aliás, para Rui Lage, a oferta de transporte público no Porto pode duplicar e podem isentar-se as portagens da CREP e da A41, mas "enquanto o parque automóvel em Portugal continuar a aumentar" o problema irá manter-se.

Fernando Monteiro, por sua vez, quer saber "quanto custa a sensibilização e quanto é que se vai poupar". "Como é que o PS que fazer isto? Como é que quer convencer as pessoas a deixar o carro na garagem e utilizar transportes públicos? Alguém que precise de transportes públicos e não os tem... É com ações de sensibilização que vamos resolver?", perguntou o deputado do PSD, sugerindo "propor alguma coisa" tal como o "car sharing".

A proposta saiu aprovada da sessão da Assembleia Municipal desta segunda-feira com 20 votos a favor do grupo Rui Moreira, nove do próprio PS, três do BE e um do PAN. Do PSD, a recomendação recebeu nove votos contra e um do Chega. Os três elementos da CDU abstiveram-se.

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