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Ramal da Alfândega poderá ser ciclovia com transporte público durante a semana

Ramal da Alfândega poderá ser ciclovia com transporte público durante a semana

A Câmara do Porto já projetou as duas soluções provisórias de transformação do Ramal da Alfândega: ciclovia ou percurso dedicado a transporte público. O autarca Rui Moreira quer concretizar ambas as hipóteses em simultâneo.

O percurso em ciclovia entre Miragaia e Campanhã envolverá a construção de vários sistemas mecanizados a ligar a cota baixa e a cota alta. Estão previstos três: na escarpa a sul, na Rua Duque de Loulé, na Calçada das Carquejeiras (entre as Fontainhas e a ponte D. Maria Pia) e na Calçada do Rêgo Lameiro. A ligação junto à ponte vai relacionar a ciclovia já existente na Avenida de Gustavo Eiffel ao tabuleiro da ponte, que fará ligação à rede ciclável de Gaia e o Largo do Padre Baltazar Guedes, junto ao colégio dos salesianos.

Além disso, entre a ponte e as Fontainhas nascerá um parque urbano em socalcos na área adjacente ao ramal e zonas de descanso e miradouros.

A segunda hipótese é ligar o Terminal Intermodal de Campanhã à Alfândega do Porto através de um transporte pendular elétrico e rápido, que pode ou não ser em carris. Neste cenário, o parque de estacionamento junto à Alfândega será transformado numa "alameda pedonal arborizada", transformando-se no "maior espaço não construído da zona ribeirinha do Porto", anuncia a Autarquia.

Estre transporte teria uma frequência de oito minutos e demoraria cinco minutos a percorrer o ramal, com um máximo de três estações (na Alfândega, Fontainhas e Campanhã), assegurando a ligação com o sistema ferroviário, em Campanhã. O estudo de procura deste meio de transporte esteve a cargo do Professor Paulo Pinho, do Centro de Investigação do Território, Transportes e Ambiente (CITTA) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. "Eu próprio fiquei admirado com os resultados", admite o especialista.

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Uma estação intermédia no ramal, na zona das Fontainhas, representa um aumento da procura daquela transporte em 20%.

O contrato entre a Infraestruturas de Portugal (IP) e o Município do Porto já foi celebrado, referiu o vereador do Urbanismo, Pedro Baganha, anunciando que a instalação de ventilação no túnel já foi licenciada, bem como a iluminação. A necessidade de consolidação da escarpa e das plataformas motivou a Câmara a arrancar já com contratação de projetistas nesse sentido, após terem sido identificados alguns "deslizamento de terras na plataforma do ramal".

"E se as duas fossem possíveis?"

Para Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, o ideal seria avançar com as duas hipóteses. "Podemos ficar aqui com um canal que pode ser utilizado para fruição e também para este veículo", afirma o autarca, realçando que o Município está a "estudar modelos de BRT (metrobus) que não precisam de um trilho ou de um carril".

"Não faria sentido este veículo circular de segunda a sexta e ao sábado e ao domingo parava?", questiona o autarca portuense, garantindo que esta "talvez fosse a forma mais útil" de utilizar este percurso.

O Ramal da Alfândega, utilizado para transporte de mercadorias, foi desativado em 1989.

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