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Red Bull regressa ao Porto mas poderá ter outro trajecto

Red Bull regressa ao Porto mas poderá ter outro trajecto

A corrida aérea da Red Bull está de regresso aos céus do Norte. As câmaras de Lisboa e Porto chegaram a acordo para que se realize dentro de seis meses sobre o rio Douro e, depois, de forma alternada nas duas cidades. Mas o percurso deverá sofrer alterações.

Após uma polémica que se arrastou três meses, pela "fuga" das provas para Lisboa, chega o anúncio de que, afinal, a edição deste ano deverá realizar-se no Porto e em Gaia e, só no próximo, na capital e em Oeiras. O calendário ainda terá de ser definido com a Red Bull, mas esta deixou já claro que vê com bons olhos esta solução de alternância.

A explicação de Rui Rio, autarca do Porto, é a de que, em 2011, as provas coincidiriam com o Circuito da Boavista. De Lisboa, António Costa também prefere a corrida dentro de um ano, por causa do Rock in Rio.

A manutenção do evento em Portugal para além de 2010, alega a organização, "pode passar pela alternância da corrida entre o Norte e o Sul". E "deste processo ficou claro que o Porto não terá, em 2011, meios logísticos e financeiros que permitam receber a corrida, devido a compromissos já estabelecidos com o Circuito da Boavista", justifica ainda. Desta forma, Porto e Gaia poderão receber a corrida "já no calendário de 2010". Ou seja, dentro de seis meses. Isso mesmo foi anunciado pelos presidentes de câmara.

O autarca do Porto reuniu-se, ontem, com o seu homólogo de Lisboa e um dos pontos abordados foi precisamente a Red Bull Air Race. Rui Rio admitiu que "dava jeito" que a prova deste ano "fosse no Porto para intercalar com o Circuito da Boavista".

António Costa admitiu, por sua vez, que a solução também lhe convém, uma vez que Lisboa já acolhe, este ano, o Rock in Rio. "Convém ao Porto, não desconvém a Lisboa, se convier à Red Bull tudo bem", disse o presidente da Câmara de Lisboa. Isto quando, no mês passado, a mesma Autarquia aprovou o protocolo para a realização das provas na capital.

Para haver esta alteração, é porque "algo falhou" e António Costa "estava a mentir em alguma coisa", reagiu, à Lusa, Vítor Gonçalves, vereador do PSD. E nota que nunca foram apresentados à Oposição documentos que demonstrassem a garantia de patrocínios.

Limitações técnicas por explicar

Os constrangimentos apresentados são de natureza financeira e logística. Mas, sobre as limitações técnicas de que a Red Bull falou, no final do ano passado, para tentar justificar a saída das provas do Norte ninguém se pronuncia agora. Questionada pelo JN, a organização nada adiantou, mas fonte ligada ao processo aponta para alterações ao percurso, o que poderá implicar que a corrida não se realize exactamente no mesmo local ou com a mesma dimensão.

O presidente da Associação de Turismo de Lisboa apenas confirma que "foi possível" para a Red Bull "ultrapassar essa limitação técnica". Vítor Costa disse à agência Lusa, que a solução agora acordada "permitiu manter a prova em Portugal por quatro anos".

O "acordo de princípios" ontem anunciado por Rio e Costa terá agora de estender-se, também a Gaia e Oeiras, explicaram. O vice da Câmara gaiense, Marco António Costa, fez questão de anunciar, ao final da manhã, que estava a trabalhar com Porto e Lisboa para a edição deste ano ser a Norte. Oeiras não se pronunciou.

O almoço realizado na capital, que tinha na agenda assuntos como a transferência das competências de trânsito para as polícias municipais e a lei autárquica, não envolveu Gaia, que foi contactada por Rui Rio após o encontro.

De sua parte, a organização garante que está "empenhada em manter Portugal no calendário" para além de 2010. Seja como for, os autarcas não querem ficar apenas a ver aviões e estão a procurar outros eventos alternativos como uma prova de motonaútica.