Pandemia

Restaurantes do Porto vivem "cenário dramático"

Restaurantes do Porto vivem "cenário dramático"

Os restaurantes do Porto estão a viver um "cenário dramático", que se agudizará com o recolher obrigatório determinado pelo Governo. Autarcas alertam para "cenário dramático" no setor e pedem mais apoios.

No Centro Histórico do Porto, por exemplo, as quebras de receita que se registaram foram sempre por volta dos 70%, explica ao JN o presidente da União de Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória, António Fonseca.

Carlos Magalhães, dono de vários estabelecimentos no Porto, garante que a situação "está a tornar-se insuportável". "Todos os meses estamos a perder dinheiro. Temos os impostos para pagar e não temos clientes", lamenta o empresário, referindo que tem feito "de tudo para não ter que mandar ninguém embora" mas que, mantendo-se o cenário como está, "não vê outra solução que não seja fechar". Por mês, as despesas relacionadas com o pagamento de impostos e salários rondam os 70 mil euros. Em causa estão os restaurantes "A mercearia", "Avó Maria", "Cais 35", entre outros, na Ribeira do Porto.

"Corremos o risco de perder um setor importante para nós e para a economia e que pode representar um aumento do desemprego", alerta o António Fonseca, que prevê que a Baixa do Porto se volte a tornar semelhante a uma "cidade fantasma".

José Andrade já teve de encerrar "O Barão", na Rua do Barão de Forrester, "por falta de procura". O também dono do "Pimenta e Chocolate", na Rua de Cedofeita, revela que "há semanas, à hora de jantar, em que não aparece ninguém". As quebras de receita já chegaram aos 90%, "o que não permite pagar rendas e despesas de luz e água".

A situação, que se estende por todo o país, "é mais evidente na cidade do Porto", afirma Alberto Machado, presidente da Junta de Freguesia de Paranhos. "A limitação dos horários dos estabelecimentos, as restrições à circulação e o teletrabalho têm impacto nestes negócios. As pessoas trabalham em casa, acabam por não precisar de ir almoçar fora, e o número de clientes já está a diminuir de forma brutal", verifica Alberto Machado.

Os empresários referem isso mesmo. Dizem não compreender a escolha de horário de encerramento, que "não poderia ter sido pior". Isto porque, "um cliente não vai jantar a saber que tem de sair do restaurante às 22.30 horas", revolta-se José Andrade, explicando que, nos dias úteis, a hora de fechar a porta era à meia-noite.

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Para tentar evitar o fim dos negócios, António Fonseca sugere ao Governo que as candidaturas a apoios a fundo perdido tenham em consideração os estabelecimentos "que tiveram de se endividar durante a pandemia para garantir os postos de trabalho". O autarca considera que "ninguém foi beneficiado por estes apoios" e que "cada caso deve ser avaliado desde o percurso do início da pandemia", não podendo os proprietários dos estabelecimentos ser prejudicados por se terem visto "obrigados a contrair dívida".

Alberto Machado sugere que se volte a aplicar o regime de lay-off, bem como o apoio ao arrendamento dos espaços, "já que muito deles não são dos proprietários". A par disso, o presidente da Junta de Paranhos considera que a Câmara do Porto também poderia ajudar isentando os estabelecimentos do pagamento de taxas municipais.

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