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Restrições tiraram 75% do trânsito à VCI no Porto

Restrições tiraram 75% do trânsito à VCI no Porto

Principais vias com redução significativa de tráfego. Especialista considera que é oportunidade para repensar mobilidade.

Conhecidas pelas longas filas de trânsito sobretudo nas horas de ponta, as principais estradas do Porto estão agora praticamente desertas. Em comparação com o mês de fevereiro, quando a vida ainda seguia a um ritmo mais ou menos normal, a VCI, por exemplo, registou uma diminuição de tráfego na ordem dos 75%. A conclusão é de um estudo da TomTom, a empresa de GPS que fez uma análise sobre os níveis de congestionamento verificados em várias cidades do Mundo antes e depois de terem sido aplicadas as medidas de restrição por causa da Covid-19.

Para descobrir quanto é que o fluxo de trânsito diminuiu em cada estrada, a TomTom selecionou o intervalo temporário de 10 a 14 de fevereiro e comparou com os níveis de congestionamento registados entre os dias 6 e 10 deste mês. Os números não enganam. Na VCI, nas pontes da Arrábida e do Freixo, na Estrada da Circunvalação e na A28 a diminuição de trânsito é significativa.

Sublinhando que "os picos de congestionamento não são, obviamente, tão elevados como eram antes de serem implementadas as medidas de restrição", Vincent Martinier, Marketing Manager da Tom Tom, explicou que o estudo permitiu identificar alguns dados interessantes. De manhã e ao final da tarde, continua a haver maior tráfego nas cidades. E nos dados relativos ao trânsito na Invicta, o dia 9 deste mês, véspera de Sexta-feira Santa, salta à vista. "Nesse dia, houve um pico de congestionamento ligeiramente mais elevado ao final da tarde do que de manhã", revelou Vincent.

Repensar a mobilidade

Para Paula Teles, especialista na área, "este decréscimo de tráfego é um momento importante para repensar a mobilidade e tomar decisões transformadoras em relação a muitos problemas". Problemas esses que, alerta, "já existiam antes do vírus". "Andávamos a tentar encontrar soluções para uma mudança de paradigma: passar do automóvel para o transporte público e os modos suaves de deslocação. Agora, os responsáveis, como os autarcas, devem aproveitar que as cidades estão paradas para implementar medidas de distanciamento", avança Paula Teles, referindo-se à criação de corredores específicos para modos de transporte suaves.

Mas repensar a mobilidade implica também aumentar a oferta do transporte público, que daqui para a frente terá de ter condições especiais de distanciamento, higiene e segurança. "Temos de saber que se o primeiro autocarro já estiver lotado, daí a uns minutos há outro. Não podemos andar como sardinhas enlatadas", referiu a especialista em mobilidade.

Jardins

Para Paula Teles, a diminuição do trânsito nas cidades é uma oportunidade para mudar os espaços públicos. Algo que deverá passar pela criação de "jardins de proximidade", em vez de as pessoas se deslocarem todas "para grandes parques das cidades".

Horas de ponta

Paula Teles defende que repensar a mobilidade passa, também, "pelos horários de trabalho". Da mesma forma que é preciso aplanar a curva do vírus, a especialista diz que as horas de ponta "não devem ser um pico, mas um planalto, por exemplo, das 7 às 11 horas".

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