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Rio acusa "elite parola" de transformar Portugal "num subúrbio da capital"

Rio acusa "elite parola" de transformar Portugal "num subúrbio da capital"

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, acusa a "elite parola" de transformar Portugal num "subúrbio da capital", apontando como exemplo a transferência do programa "Praça da Alegria" para Lisboa e as decisões do Governo sobre o aeroporto.

Os reparos são feitos no editorial da edição de janeiro da revista municipal "Porto Sempre", a que a Lusa teve acesso, esta quarta-feira.

"Temos uma elite parola (saloia, se preferirem), que não consegue ver para lá do que passa à sua porta e que, como consequência dessa limitação, prossegue o afunilamento de Portugal, transformando-o cada vez mais num subúrbio da capital", acusa o autarca.

Com esta atitude, a capital do país "a nada mais poderá aspirar do que a ser um subúrbio do mundo", alerta Rui Rio.

As críticas surgem a propósito da decisão de transferir para Lisboa o programa da RTP "Praça da Alegria", que "tem uma vasta audiência e sempre se realizou a partir dos estúdios do Porto".

Motivos de descontentamento de Rui Rio são também as opções do Governo em relação ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, à recuperação dos bairros e à Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) do Porto. "É inverosímil! Como é possível Portugal ter chegado a isto?", questiona o autarca.

Rio pergunta ainda "como é possível a incapacidade, a falta de visão política e a falta de respeito ter chegado a um ponto tal" que todas estas coisas estejam "a acontecer ao mesmo tempo".

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"Só numa sociedade subdesenvolvida é possível assumir, há tantos anos e com tanto descaramento, que o seu modelo de desenvolvimento passa por considerar o seu todo como uma mera periferia da sua capital", acrescenta.

No editorial, Rio lembra que o Estado deve à SRU "cerca de 2,4 milhões de euros há quase dois anos e, pura e simplesmente, não paga o que deve".

Acresce que se impõe assinar um contrato-programa "assumido em março para 2012 e 2013", mas, "até hoje", o Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) "ainda não teve autorização governamental para o assinar".

Em dezembro de 2011, os órgãos sociais da empresa de capitais públicos, detida em 60% pelo Estado, através do IHRU, e em 40% pela Câmara do Porto terminaram o mandato e "está-se em 2013 e nada!", lamenta Rui Rio.

"A reabilitação dos bairros foi protocolada com a Câmara mas, a meio da vigência do acordo, o Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana [IHRU] avisou que não o ia cumprir", recorda. Rio lembra mesmo que o IHRU "avisou que nem sequer ia pagar a parte que lhe cabia nas obras já em curso".

Quanto ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, o social-democrata lamenta que, "de forma contranatura", o Governo pretenda que "seja explorado num quadro de monopólio privado".

"Analisado o contrato, constata-se que apenas lá foram inscritas umas normas vagas e facultativas que o futuro dono da ANA apenas assumirá se o entender", reprova o também presidente da Junta Metropolitana do Porto.

Na sua perspetiva, "ninguém poderá dizer com segurança o que será o aeroporto do Porto daqui por 10 ou 15 anos" e que "serviço estará em condições de prestar à região Norte".

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