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Rui Moreira não quer que a Casa da Música seja nacionalizada

Rui Moreira não quer que a Casa da Música seja nacionalizada

Esta segunda-feira, em reunião de Câmara do Porto, Rui Moreira disse concordar com a reavaliação da missão da Casa da Música, nomeadamente o seu modelo de governação, mas rejeitou que o equipamento seja transformado num instituto público nacional. "Estou muito preocupado quando vejo que há gente que quer que a Casa da Música seja nacionalizada e entregue ao centralismo. O presidente da Câmara do Porto não quer. Esta é a minha posição e tudo farei para salvaguardar a Casa da Música", sublinhou o autarca.

"Há uma coisa que não quero, e quero deixar isto absolutamente claro: nós não queremos que a Casa da Música passe a ser um instituto público nacional. Isso vai matar a Casa da Música. Para o presidente da Câmara, a posição é muito simples: mais vale a Casa da Música ser como é, com os seus defeitos, do que um instituto. Se for um instituto sabem como acaba? Como o IAPMEI [Agência para a Competitividade e Inovação]. Não queremos que a Casa da Música seja um IAPMEI", reforçou.

O presidente da Câmara do Porto falou sobre a Casa da Música, após terem surgido perguntas, na reunião camarária, relativas às notícias publicadas na Imprensa a dar conta que a Casa da Música está a ser investigada por alegadas irregularidades, que terão favorecido mecenas. Ministério Público e Tribunal de Contas abriram inquéritos. As alegadas irregularidades foram tornadas públicas através de um site anónimo intitulado "Fugas da Casa".

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"Li aquilo que foi escrito na Comunicação Social. Sendo uma coisa que está em segredo de justiça, e não fazendo eu parte de páginas anónimas, não posso dizer coisa nenhuma", respondeu Rui Moreira, adiantando que "até agora não houve nenhum contacto do Conselho de Administração".

A propósito, o autarca revelou que está de acordo com o ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, quanto a reavaliar o modelo funcional e a missão da Casa da Música.

"Tive uma reunião com o presidente do Conselho dos Fundadores, Valente de Oliveira, na quinta-feira, ainda eu não tinha conhecimento da notícia [das alegadas irregularidades], que me deu nota que o ministro, em reunião com os conselhos de Administração e dos Fundadores, terá dito para formar uma comissão para reavaliar o modelo fundacional e a missão da Casa da Música. Também me disse que achava importante que a Câmara do Porto tivesse um representante nessa comissão. A nomeação caberá ao Executivo municipal", afirmou.

"Parece-me que o ministro está a fazer coisa bem feita: perceber que há ali um problema e que é preciso reavaliar a questão fundacional", acrescentou.

Também a vereadora Rosário Gambôa, do PS, usou da palavra, para defender uma reavaliação. "No final de um ciclo é necessária uma reflexão sobre o modelo de governação. Esta reflexão é extremamente importante", defendeu a socialista.

"Concordo. Há que reconhecer que nestas fundações há um tempo em que têm que ser revisitadas", declarou Rui Moreira.

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