Porto

Rui Moreira não teme que fábrica de Lordelo do Ouro se "replique" noutros locais

Rui Moreira não teme que fábrica de Lordelo do Ouro se "replique" noutros locais

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, disse não temer que as situações de prostituição, tráfico e consumo de droga que se registavam na antiga fábrica de sabões que, esta segunda-feira, começou a ser demolida passem para outros locais.

"Não temo. Sei que não fazemos milagres. Não podemos pensar que o problema se resolve num dia. Mas tenho a certeza de que a concentração que aqui se verificava e a impunidade que aqui sucedia não serão replicáveis noutra zona da cidade e se forem agiremos da mesma forma", disse o presidente da autarquia do Porto.

Em declarações aos jornalistas, a meio do primeiro dia das demolições que estão a decorrer na antiga fábrica que começou por produzir sabões e mais tarde se dedicou à transformação de metais, localizada em Lordelo do Ouro, Rui Moreira vincou que o terreno é de propriedade privada e reiterou a ideia de que os donos do espaço vão ser responsabilizados.

"Este local [terreno de cerca de 130 metros de comprimento por 95 de largura] é privado. Em primeiro lugar vamos consumar as demolições. Depois este espaço será vedado. Depois aguardaremos calmamente aquilo que os proprietários entenderem fazer. Mas não voltaremos a ter aqui esta situação", disse o autarca.

Rui Moreira não adiantou que destino terá o terreno, acrescentando apenas que "quando existirem iniciativas relativamente a um licenciamento", estas serão "analisadas calmamente".

Para já as despesas da demolição e da limpeza estão a ser assumidas pela Câmara do Porto mas a autarquia quer que, posteriormente, venham a ser assumidas pelos proprietários.

"Este imóvel não estava fechado. Estava aberto à indigência. A Câmara tratará a cidade do Porto com um condomínio. E os proprietários privados são responsáveis pela sua parte nesse condomínio", frisou Rui Moreira.

A Câmara do Porto estima que "cerca de 400 pessoas" frequentassem "diariamente" estes edifícios que estavam abandonados há décadas abandonados para comportamentos ligados à prostituição, tráfico e consumo de droga.

Acresce o facto de o revestimento dos telhados e paredes, segundo a autarquia, constituírem perigo para saúde pública devido à existência de "amianto em degradação".

Segundo dados da autarquia, pelo menos 15 pessoas viviam neste espaço, sendo que o número de "residentes" que aceitou ajuda da Segurança Social para procurar alternativas é, atualmente, de cinco.

"Nos dias antecedentes foi feito aqui um trabalho pela Segurança Social e foram oferecidas condições às pessoas. Houve quem quisesse e quem não quisesse. Esse assunto foi acautelado previamente", garantiu Rui Moreira.

Por fim, o autarca, quando questionado sobre a sua opinião e sobre projetos relacionados com salas de consumo assistido, escusou-se a responder, considerando este "não ser o momento para fazer considerações sobre esse assunto".

A Câmara estima que o processo de demolições destes edifícios que estão junto ao bairro municipal Dr. Nuno Pinheiro Torres fique concluído até sexta-feira depois das máquinas terem iniciado os trabalhos por volta das 7.40 horas, depois de uma brigada cinotécnica da PSP ter verificado se estavam pessoas no edifício.

Nesta intervenção participaram a Administração Regional de Saúde, o Centro Distrital de Segurança Social do Porto, o Comando Metropolitano da PSP do Porto, a Polícia Municipal, o Batalhão de Sapadores Bombeiros e a Proteção Civil, Junta de Freguesia de Lordelo e Massarelos, Fundação Porto Social entre outras entidades.

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